Tether vale US$ 375 bilhões aponta Forbes

Tether troca títulos dos EUA por ouro e Bitcoin e desafia a crise — movimento genial ou exposição perigosa?
  • Tether alcança avaliação de até US$ 375 bilhões, segundo negociações no mercado secundário.
  • Executivos podem entrar entre os mais ricos do mundo com a nova estimativa.
  • Empresa amplia atuação em IA, energia e dados enquanto enfrenta concorrência e pressão regulatória

As negociações no mercado secundário indicam que investidores avaliam a empresa entre US$ 350 bilhões e US$ 375 bilhões. Esse valor eleva seus principais executivos ao topo das listas de bilionários globais. Esse salto mostra a força de um negócio que controla o maior stablecoin do mundo. Além disso, a empresa, cada vez mais, tenta ampliar sua presença além do setor cripto tradicional.

Os dados coletados pela Forbes revelam que o valor supera com folga os níveis vistos em avaliações anteriores. Ainda assim, o valor fica abaixo do teto de US$ 500 bilhões pretendido pela empresa em sua captação. Mesmo assim, o montante já coloca o grupo entre os negócios privados mais valiosos do planeta. Fontes do setor afirmam que o movimento gerou forte interesse. No entanto, também gerou certa cautela, especialmente diante de dúvidas sobre governança, transparência e expansão da companhia.

Tether não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela Forbes. Nomes como SoftBank e Ark Invest aparecem associados à captação, embora o primeiro já tenha sido descartado como investidor. Mesmo assim, o interesse na rodada mostra que a empresa tenta reforçar sua credibilidade institucional. Isso ocorre sobretudo enquanto planeja aumentar sua atuação nos Estados Unidos.

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Avaliação turbina fortuna dos executivos da Tether

As estimativas divulgadas pela Forbes indicam que uma avaliação de US$ 200 bilhões, mais conservadora, já colocaria a fortuna do CFO Giancarlo Devasini na casa dos US$ 89 bilhões. Isso ocorre devido ao seu controle de aproximadamente 45% da empresa. Nesse cenário, executivos como Paolo Ardoino e Jean-Louis van der Velde também apareceriam com patrimônios ao redor de US$ 38 bilhões. Além disso, Stuart Hoegner, conselheiro jurídico, se aproximaria de US$ 25 bilhões.

Mas a avaliação de US$ 350 bilhões, sugerida pelo mercado secundário, ampliaria esses números de forma extraordinária. O patrimônio de Devasini poderia superar US$ 156 bilhões. Com isso, ele ultrapassaria nomes como Warren Buffett e entraria no grupo restrito dos dez indivíduos mais ricos do planeta. Esse salto é alimentado por um ano em que a receita da Tether explodiu. Essa explosão foi apoiada principalmente no rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos que sustentam boa parte das reservas do USDT. Hoje, a capitalização está acima de US$ 184 bilhões.

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Expansão agressiva e disputa no setor

O lucro não auditado de US$ 10 bilhões em 2025 impulsionou uma estratégia mais ampla. A empresa investe em inteligência artificial, energia, educação e plataformas de dados. Além disso, montou posições relevantes em ouro e bitcoin: US$ 23 bilhões em ouro e US$ 6,4 bilhões em BTC. Seu portfólio de investimentos já supera 120 companhias. Isso inclui apostas de peso como os US$ 775 milhões na Rumble e US$ 200 milhões no marketplace Whop.

Mesmo assim, a Tether enfrenta competição direta. A Circle fortalece o USDC, enquanto o consórcio formado por Stripe, Paradigm, UBS, Deutsche Bank, OpenAI e Anthropic apresenta a blockchain Tempo, voltada a pagamentos com stablecoins. A Meta também se prepara para retornar ao setor, adicionando pressão a um mercado em transformação acelerada.

O ambiente regulatório dos Estados Unidos adiciona outro desafio. A implementação do GENIUS Act dará novas ferramentas ao regulador bancário para supervisionar emissores estrangeiros de stablecoins, com impacto direto sobre a Tether. A empresa já respondeu ao cenário com o lançamento do USAT, sua stablecoin compatível com padrões norte-americanos, emitida pelo Anchorage Digital Bank.

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A nova avaliação, portanto, marca apenas o início de uma disputa que promete redefinir o poder das stablecoins no mercado global.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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