Tom Lee projeta Ethereum a US$ 22 mil em novo ciclo de alta cripto

  • Tom Lee, da Fundstrat, projeta Ethereum em US$ 22 mil no próximo ciclo de alta
  • Estrategista cita tokenização de ativos e agentes de IA como gatilhos de demanda
  • BitMine já controla mais de 4% do supply do ETH e fatura US$ 300 mi em staking

O estrategista Tom Lee, da Fundstrat, voltou a defender o Ethereum como protagonista do próximo ciclo de alta do mercado cripto. Em apresentação na conferência Consensus, em Miami, ele disse que o ativo permanece subvalorizado mesmo após a recente recuperação dos preços. Para Lee, a fase de baixa terminou.

Negociado perto dos US$ 2.300, o ETH foi descrito como barato diante das funções que ocupa em finanças digitais. O argumento central liga o ativo a três frentes: ativos tokenizados, stablecoins e agentes autônomos de inteligência artificial. Todos, segundo o estrategista, dependerão de redes descentralizadas de pagamento e liquidação.

Projeção ancorada na relação com Bitcoin

O cálculo de Lee parte de um padrão histórico. O Ethereum negocia, em média, a uma razão de 0,048 contra o Bitcoin, índice que chegou a 0,087 no auge do ciclo de 2021. Aplicando o teto histórico ao preço-alvo de US$ 250 mil que ele projeta para o BTC, o ETH chegaria a aproximadamente US$ 22 mil.

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A tese pressupõe que padrões anteriores se repitam — premissa nem sempre confirmada. O próprio Ethereum passou quase cinco anos preso em uma faixa ampla após o último grande rali, conforme apontou o estrategista. Lee acredita que esta terceira consolidação será rompida pela combinação de tokenização e IA agêntica. Estimativas do setor citadas por ele apontam para um mercado de ativos do mundo real tokenizados que pode atingir centenas de trilhões de dólares.

O dado complementar veio das stablecoins. O volume transacionado nessas moedas, segundo Lee, já superou o processado pela Visa, sinal de que a infraestrutura blockchain saiu do nicho. A leitura conversa com a corrida regulatória observada nos Estados Unidos e na Europa para enquadrar emissoras de stablecoins, tema que também avança no setor bancário tradicional.

Agentes de IA e camada de liquidação

Boa parte da apresentação girou em torno do encontro entre IA e blockchain. Lee defende que sistemas autônomos precisarão de trilhos financeiros que funcionem sem bancos ou intermediários centralizados. “Agentes vão precisar de dinheiro”, resumiu, em referência à atividade econômica conduzida por IA.

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O Ethereum, na visão dele, tende a se firmar como camada de liquidação dessa economia por já concentrar contratos inteligentes, finanças descentralizadas e mercados de ativos tokenizados. A leitura ecoa movimentos práticos: parcerias entre redes públicas e gigantes de tecnologia já testam gateways de pagamento voltados a agentes autônomos.

BitMine acelera acumulação e staking

Lee também detalhou a estratégia da BitMine, empresa em que atua como presidente. A companhia já controla mais de 4% do supply circulante do Ethereum e mantém cerca de 85% das moedas em staking, com receita anualizada superior a US$ 300 milhões. O plano original previa anos para alcançar 5% do supply — meta que se aproxima em ritmo acima do esperado.

Durante o período de acumulação da BitMine, o supply do ETH operou em regime efetivamente deflacionário, segundo o estrategista. Caso a demanda institucional siga crescendo, o efeito tende a pressionar preços. “Ethereum é uma camada de liquidação escassa. Nunca teve downtime”, afirmou. A própria estreia da BitMine em bolsa, com mais de US$ 10 bilhões em ETH, ilustra a escala do movimento.

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O que importa para o investidor brasileiro

Para o mercado local, o cenário traçado por Lee tem desdobramentos práticos. A tese de tokenização ganha corpo no Brasil com bancos como Itaú, Bradesco e BTG Pactual avançando em ofertas de tokens de ativos reais sob supervisão do Banco Central e da CVM. Se a previsão de demanda por trilhos blockchain se confirmar, redes como Ethereum tendem a captar parte desse fluxo institucional.

A volatilidade, porém, segue elevada. Movimentações recentes mostram baleias aumentando a pressão vendedora no curto prazo, em contraste com a leitura otimista de longo prazo. A íntegra da fala de Lee foi divulgada durante o evento e segue como referência da mesa institucional pró-ETH.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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