VanEck vê Bitcoin a US$ 1 milhão em cinco anos e adota cenário-base

  • VanEck adota Bitcoin a US$ 1 milhão em cinco anos como cenário-base
  • Bitwise estima alcance de seven figures em uma década via comparação com ouro
  • Bitcoin negociava perto de US$ 80 mil no momento da entrevista à CNBC

A casa de gestão VanEck elevou o tom em sua tese de longo prazo para o Bitcoin. Em entrevista à CNBC, Matthew Sigel, chefe de pesquisa em ativos digitais da gestora, afirmou que a meta de US$ 1 milhão por BTC em cinco anos é tratada internamente como cenário-base — e não como aposta agressiva.

O ativo era negociado perto de US$ 80 mil no momento da fala. Atingir o número implicaria valorização superior a 12 vezes o preço atual e uma capitalização de mercado próxima de US$ 20 trilhões, acima do ouro físico hoje em circulação.

O argumento da VanEck

Sigel sustentou a projeção em três pilares: entrada de bancos centrais como compradores soberanos, demanda demográfica entre investidores jovens e ausência de excesso especulativo nos mercados de derivativos. Ele descreveu a chegada do primeiro banco central comprando BTC para reservas como uma “megatendência” que tende a se replicar.

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A comparação escolhida foi inusitada. O executivo aproximou a curva de adoção do Bitcoin à da indústria de videogames: um setor que, segundo ele, fideliza gerações inteiras. “As pessoas não abandonam o Bitcoin”, disse. Ainda assim, fez ressalva sobre a natureza cíclica do ativo, lembrando que “não há resgates no Bitcoin” e que correções severas seguem fazendo parte do percurso.

Há um detalhe técnico relevante na avaliação da VanEck. A correlação entre BTC e o índice Nasdaq atingiu recentemente o maior nível em cinco anos — fator que, em tese, enfraqueceria a narrativa de hedge. Sigel contornou o ponto destacando que os indicadores de alavancagem em derivativos não mostram euforia, o que sustentaria espaço para nova pernada de alta sem ruptura abrupta.

Bitwise, Saylor e Hayes no mesmo coro

A projeção da VanEck é mais ousada que a da concorrente Bitwise, cujo CIO, Matt Hougan, prevê o mesmo patamar em prazo de aproximadamente dez anos. O modelo da Bitwise compara o Bitcoin ao ouro como reserva de valor: hoje, o mercado global desse segmento gira em torno de US$ 38 trilhões. Se o universo de stores of value crescer para US$ 121 trilhões na próxima década, bastaria o BTC capturar 17% para chegar aos sete dígitos.

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A lista de otimistas é extensa. Michael Saylor, da Strategy, repete que o número é “inevitável”. Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, projeta faixa entre US$ 750 mil e US$ 1 milhão nos próximos anos. Samson Mow, da JAN3, mantém a tese das seven figures. O argumento comum é macro: dívida soberana crescente, expansão monetária e oferta fixa em 21 milhões de unidades.

O contraponto técnico e o que isso significa no Brasil

Nem todos compram a tese. Céticos apontam que um BTC a US$ 1 milhão exigiria uma das maiores realocações de capital da história financeira recente. A capitalização superaria o ouro como reserva e demandaria adesão massiva de fundos de pensão, tesourarias corporativas e governos — algo que, hoje, ocorre em escala bem inferior.

Para o investidor brasileiro, a leitura precisa filtrar o ruído de prazos. A projeção da VanEck é uma tese de cinco anos, não um catalisador imediato. No curto prazo, fatores como decisão do Fed sob comando de Kevin Warsh e fluxo dos ETFs spot americanos seguem ditando a volatilidade.

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Convertido pelo dólar atual, US$ 1 milhão equivaleria a aproximadamente R$ 5,8 milhões por BTC — patamar que mudaria a estrutura tributária para investidores pessoa física no Brasil, hoje obrigados a declarar ganhos de capital acima de R$ 35 mil mensais em alienações de cripto. A entrevista completa foi ao ar em programa da CNBC.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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