- Lázaro Campos, ex-CEO da SWIFT, assume a presidência do conselho de administração da OpenTrade.
- Empresa afirma ter movimentado mais de US$ 1 bilhão em 12 meses e alcançado US$ 300 milhões em valor total bloqueado.
- Plataforma já captou US$ 32 milhões e pretende ampliar soluções de rendimento com stablecoins lastreadas em ativos do mundo real.
O ex-CEO da SWIFT, Lázaro Campos, está entrando no mercado de stablecoins. O executivo, que comandou uma das principais infraestruturas de mensagens financeiras do mundo, foi anunciado como novo presidente do conselho de administração da OpenTrade, empresa especializada em oferecer rendimentos sobre ativos digitais atrelados a moedas tradicionais.
A nomeação, anunciada em 29 de outubro, representa mais um movimento de aproximação entre executivos do sistema financeiro tradicional e empresas que utilizam blockchain para desenvolver serviços financeiros.
Fundada em 2023 e sediada em Londres, a OpenTrade informou que processou mais de US$ 1 bilhão em transações nos últimos 12 meses. A plataforma também alcançou US$ 300 milhões em valor total bloqueado (TVL), indicador que representa os recursos depositados em sua infraestrutura.
A empresa oferece soluções para fintechs, exchanges e plataformas de ativos digitais que desejam disponibilizar produtos de rendimento em dólares e euros, utilizando instrumentos financeiros lastreados em ativos do mundo real (RWA).
Ex-CEO da SWIFT vê stablecoins como próximo passo do sistema financeiro
Lázaro Campos trabalhou durante 25 anos na SWIFT, sendo cinco deles como CEO, entre 2007 e 2012. Durante sua gestão, o volume de mensagens processadas pela rede praticamente dobrou, enquanto a instituição reduziu seus custos operacionais em aproximadamente 30%.
A SWIFT é responsável pela infraestrutura de comunicação utilizada por instituições financeiras em operações internacionais. Diferentemente de uma rede de liquidação, seu sistema transmite mensagens e instruções financeiras entre os participantes.
Após deixar o cargo, Campos passou a atuar em conselhos de administração de empresas do setor financeiro, incluindo o banco digital Starling Bank e a plataforma Payoneer. Também integrou o conselho de infraestrutura de pagamentos RTGS/CHAPS do Banco da Inglaterra.
Agora, o executivo acredita que as stablecoins representam uma nova etapa no desenvolvimento dos serviços financeiros.
“Passei a maior parte da minha carreira na infraestrutura que o mundo utiliza para movimentar dinheiro. As stablecoins são o próximo capítulo, e o rendimento é o que as torna úteis para as empresas e as pessoas que atendem”, afirmou Campos.
Segundo a OpenTrade, o executivo terá a missão de orientar a expansão da plataforma e contribuir com sua experiência em governança e infraestrutura financeira.
OpenTrade quer ampliar rendimentos com stablecoins
A OpenTrade desenvolve infraestrutura para que empresas ofereçam produtos de rendimento sobre saldos em stablecoins, sem precisar construir internamente toda a estrutura de investimentos.
Na prática, fintechs e plataformas de criptomoedas podem utilizar o serviço para aplicar recursos de tesouraria ou disponibilizar produtos de rendimento aos próprios clientes.
Os retornos são estruturados a partir de diferentes instrumentos financeiros, incluindo ativos do mundo real (RWA), como títulos de renda fixa. Entretanto, esses produtos envolvem riscos de crédito, liquidez e contraparte, e seus rendimentos não são automaticamente garantidos pela estabilidade de preço das stablecoins.
De acordo com David Sutter, cofundador e CEO da OpenTrade, a entrada de Campos acompanha o crescimento da demanda por soluções que conectem blockchain e finanças tradicionais.
“As stablecoins estão se tornando uma das infraestruturas sobre as quais as finanças globais operam, e as empresas que constroem sobre elas esperam a mesma resiliência e confiança que recebem do sistema tradicional”, afirmou Sutter.
A companhia pretende ampliar sua atuação entre empresas que buscam oferecer produtos financeiros denominados em dólares e euros, especialmente fintechs, carteiras digitais e plataformas de ativos virtuais.
Empresa recebeu investimento de fundos ligados ao mercado cripto
A nomeação acontece meses depois de a OpenTrade levantar US$ 17 milhões em uma rodada de financiamento realizada em maio de 2026.
O investimento foi liderado pela Mercury Fund e pela Notion Capital, com participação de a16z crypto, AlbionVC e CMCC Global.
Com a operação, a empresa elevou o capital captado desde sua fundação para aproximadamente US$ 32 milhões.
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Os recursos estão sendo utilizados para ampliar o desenvolvimento de produtos, incluindo estruturas de investimento personalizadas, conhecidas como curated vaults, além da expansão da equipe e da entrada em novos mercados.
A evolução dos números também demonstra o crescimento informado pela companhia. Em maio, a OpenTrade havia anunciado mais de US$ 200 milhões em valor total bloqueado. Agora, esse indicador chegou a US$ 300 milhões.
Para o mercado de criptomoedas, a chegada de um executivo com experiência na SWIFT reforça a aproximação entre a infraestrutura financeira tradicional e os serviços baseados em blockchain.
A nomeação, entretanto, não representa uma parceria entre a SWIFT e a OpenTrade. Trata-se da contratação de um ex-executivo da rede bancária para presidir o conselho da empresa de stablecoins.




