A Reuters publicou uma nova reportagem questionando diversos aspectos financeiros e legais da exchange Binance

Por Jorge Siufi
Fonte: Unsplash

A Reuters publicou um novo relatório “especial” sobre a exchange Binance, o qual chamou os livros contábeis da exchange de “caixa preta”

Os livros da Binance são uma caixa preta, mostram os registros, enquanto a gigante cripto tenta recuperar a confiança

A Revista Reuters publicou uma nova bomba sobre a maior exchange de criptoativos do mundo, a Binance.

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No início da semana passada a Reuters fez uma publicação onde disse que fontes próximas anunciaram que a exchange estaria sendo investigada desde 2018 pelo Departamento de Justiça norte-americano (DOJ).

Na ocasião a Reuters disse que a investigação poderia denunciar a exchange a qualquer momento por crimes contra o sistema financeiro dos Estados Unidos.

A reportagem causou grande alarde nos investidores que já assustados com o colapso da exchange FTX, começaram a sacar mais ainda fundos da Binance.

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Tanto a Binance quanto o seu CEO, Changpeng Zhao (CZ), desmentiram a Reuters e tentaram acalmar os ânimos dos investidores, mas mesmo assim o volume de saques de criptoativos foi exorbitante.

Depois de toda estas ocorrências CZ deu declarações falando sobre todos estes problemas e sobre o futuro da empresa.

Agora, citando as falas de CZ a Reuters lançou uma nova publicação onde disse ter analisado os arquivos corporativos da Binance, onde disse que o seu núcleo de negócios “permanece praticamente oculto da vista do público”.

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Na postagem a Reuters questiona a localização geográfica da sede da Binance, questiona as informações financeiras “como receitas, lucros e reservas de caixa”, e não divulga “o papel que desempenha em seu balanço” o seu token nativo, o BNB.

Outro questionamento visa exatamente o problema que causou a quebra da FTX, o que é feito com os fundos dos clientes.

Segundo a Reuters, a Binance “empresta dinheiro aos clientes contra seus ativos criptográficos e permite que eles negociem com margem, com fundos emprestado, mas não detalha o tamanho dessas apostas”.

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Assim não ficaria claro ao público o tamanho da exposição da exchange aos riscos inerentes deste processo.

Continuando, questionou o caráter de empresa pública da Binance em contrapartida de outras exchanges que reportam seus ativos e passivos, e não divulga seu capital externo desde o ano seguinte ao seu lançamento, em 2017.

Por fim, a Reuter disse que a Binance evita “ativamente a supervisão”.

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A Reuters disse ter inspecionado os registros legais da exchange em 14 jurisdições onde diz ter “licenças regulatórias, registros, autorizações e aprovações”.

Mas segundo a investigação da revista, os registros mostram poucas informações sobre seus negócios.

De acordo com o ex-chefe do Escritório de Fiscalização da Internet da SEC norte-americana, John Stark, a Binance estaria “cooptando a nomenclatura da regulamentação para criar um verniz de legitimidade”.

Também disse que “não há absolutamente nenhuma transparência, nenhuma luz solar, nenhuma confirmação de qualquer tipo sobre sua posição financeira”, o que tornaria a Binance “mais opaca” que a FTX.

Em contrapartida, o diretor de estratégia da Binance, Patrick Hillmann, refutou a análise feita pela Reuters destes registros legais nestas 14 jurisdições.

Segundo Hilmann, a Binance não teria a obrigatoriedade de apresentar estas informações por se tratar de uma empresa privada.

E Hillmann não aceitou as comparações feita com a FTX, uma vez que seu CEO, Sam Bankman-Fried, estaria sendo processado por fraude, algo que a Binance não faz.

Algo que aumentou a desconfiança sobre a exchange foi a retirada dos relatórios da empresa de auditoria, Mazars, sobre a prova de reserva da Binance.

inclusive a Mazars anunciou que não mais auditaria qualquer empresa cripto devido à complexidade das informações.

Este fato levou a mais retiradas de fundos por parte dos clientes da Binance.

Diante desta situação, o CEO da Biance.US, Brian Shroder, disse em sua conta do Twitter que a Binance “mantém reservas 1:1 e estamos sujeitos a auditorias regulares e relatórios regulatórios por parte de entidades governamentais. Não oferecemos produtos de margem, não realizamos negociações proprietárias ou assumimos qualquer dívida corporativa”.

Segundo Hillmann, a Binance realmente teria o total dos fundos dos clientes disponíveis para saque, e a empresa teria bastante fundos de reserva obtidos com as taxas de transações.

Realmente a exchange possui um grande recebimento de taxas por transacionar mais de 60% das operações do mercado cripto de CEXs no mundo.

Segundo a Reuters a Binance teria transacionado mais de US$ 22 trilhões apenas este ano.

Apesar da Binance transacionar alguns pares de criptoativos com taxa zero, habitualmente cobra taxa de 0,1% dos usuários regulares.

Há distinção de classe de usuários onde à medida que os usuários sobem no ranking de cliente (VIP 1 a 9), pagam menos taxas de transações.

Este ranking de usuário é medido de acordo com o volume de negociação mensal de cada usuário.

Mas toda esta suposta saúde financeira é totalmente ocultada pela exchange, conforme comentado, que foi pontuado pela Reuters como um procedimento cultural de CZ, que impôs sigilo durante toda a ascensão da exchange nos últimos quatro anos.

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Redator da Revista Bitnotícias
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