Bancos voltam à carga contra rendimento de stablecoins no CLARITY Act

  • Bancos americanos retomam ofensiva para banir rendimento em stablecoins no CLARITY Act
  • Polymarket aponta 48% de chance de Trump sancionar a lei em 2026
  • Senado prioriza acordo sobre ética e DeFi antes de votação em plenário

O lobby bancário dos Estados Unidos reabriu uma frente que parecia encerrada. Associações estaduais de bancos voltaram a procurar senadores para incluir no CLARITY Act uma proibição explícita ao pagamento de rendimentos em stablecoins, mesmo após o acordo firmado no início do ano que havia acomodado o tema. O movimento ocorre enquanto o Senado prioriza outros impasses do projeto.

A jornalista Eleanor Terrett revelou em publicação no X que conferências de associações bancárias estaduais espalhadas pelo país transformaram a aproximação com parlamentares em pauta central. Fontes ouvidas por ela afirmam que a questão dos juros pagos por emissores de stablecoins segue “muito viva” no Capitólio.

O alvo é uma das negociações mais sensíveis da regulação cripto americana. Bancos tradicionais temem perder depósitos para emissores como Circle, Tether e Paxos, caso essas empresas possam remunerar os detentores de tokens lastreados em dólar. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, já havia prometido publicamente combater a permissão de rendimentos, mesmo com o projeto avançado em comissão.

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Senado foca em ética e DeFi antes de votação

A pressão bancária ganha relevância justamente porque os republicanos no Senado redirecionaram a atenção para outros dois pontos travados. As negociações atuais miram um acordo com os democratas sobre cláusulas de ética — em meio às acusações ligadas aos negócios cripto da família Trump — e sobre o tratamento de protocolos DeFi no texto.

O procurador-geral interino Todd Blanche se reuniu nesta semana com grupos de aplicação da lei para tentar destravar o ponto sobre finanças descentralizadas. A polícia federal e procuradores estaduais resistem a dispositivos que, segundo eles, dificultariam investigações contra lavagem de dinheiro em protocolos não custodiais. O Brasil enfrenta debate semelhante, com o Banco Central avaliando regras para autocustódia.

Para colocar o CLARITY Act em votação no plenário, o Senado ainda precisa fundir o projeto com o texto paralelo do Comitê de Agricultura, responsável por definir a jurisdição da CFTC sobre ativos digitais. Sem essa costura, a peça não vai a plenário, e o recesso de agosto se aproxima como prazo fatal.

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Polymarket coloca chance de sanção em 48%

O mercado de previsões já precificou o atraso. Dados do Polymarket mostram que a probabilidade de Donald Trump assinar o CLARITY Act ainda em 2026 caiu para 48%. No início de maio, quando o Comitê Bancário aprovou o texto, a aposta chegou a 74%.

A Galaxy Digital também revisou suas projeções. A empresa reduziu de 75% para 60% a probabilidade de aprovação neste ano, citando a apertada agenda legislativa. O assessor de cripto da Casa Branca, Patrick Witt, segue afirmando que o prazo de 4 de julho é viável, mas nenhuma data de votação foi marcada.

Impasse trava expansão de emissores latinos

O resultado da disputa terá efeito direto sobre projetos brasileiros e latino-americanos que estudam emitir stablecoins lastreadas em dólar para o mercado dos EUA. Se a versão final vedar o pagamento de juros, emissores nacionais como Mercado Bitcoin, Foxbit e o consórcio que opera o BRL1 perderão um dos principais argumentos de venda contra fundos de renda fixa tokenizados.

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O Banco Central brasileiro acompanha a discussão de perto, já que prepara para 2026 a regulamentação local de stablecoins e o regime da terceira fase do marco cripto. A ausência de juros, caso prevaleça nos EUA, deve servir como referência para o Banco Central definir se permitirá remuneração em reais tokenizados emitidos sob supervisão da CVM.

Enquanto o impasse se arrasta, o Bitcoin opera em US$ 63.802 e o Ethereum a US$ 1.724, com volatilidade contida. Operadores institucionais aguardam o desfecho do CLARITY Act como gatilho para definir o fluxo de stablecoins no terceiro trimestre, segmento que movimenta mais de US$ 230 bilhões em circulação global.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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