- Consob autoriza Conio em custódia, transferência e colocação sob MiCA
- Grécia deve rejeitar pedido de licença MiCA da Binance, dizem fontes
- Europa soma 231 prestadores de serviços cripto licenciados em 30 mercados
A italiana Conio entrou para o grupo restrito de fintechs autorizadas a operar serviços de criptoativos sob o regime europeu MiCA. A decisão da Consob, reguladora do mercado de capitais da Itália, foi publicada em 17 de junho de 2026 e liberou três permissões, custódia, transferência e colocação de ativos digitais. O movimento posiciona a empresa como ponte direta entre bancos privados europeus e o mercado cripto regulado.
Na prática, a tríade autorizada permite que a Conio mantenha ativos sob guarda, movimente tokens on-chain dentro de fluxos controlados e ajude emissores a distribuir tokens a clientes finais. É o pacote que bancos costumam exigir para empacotar e distribuir produtos financeiros o que explica o interesse de instituições tradicionais em fechar parcerias com prestadores já licenciados.
Binance tropeça na Grécia um dia antes do anúncio
A autorização da Conio veio em meio a um contraste editorial difícil de ignorar. Um dia antes, fontes ouvidas pela Reuters indicaram que a Hellenic Capital Market Commission, reguladora grega, deve rejeitar o pedido de licença MiCA apresentado pela Binance. Se confirmada, a decisão pode encolher a capacidade da maior exchange do mundo de atender clientes europeus após o fim da janela de transição.
O recado do mercado é direto: distribuição agora é permissão regulatória. Sem passaporte MiCA, não há escala possível na União Europeia independentemente da liquidez ou da qualidade do aplicativo. Segundo trackers públicos, o bloco já soma 231 CASPs licenciados em 30 mercados do EEE até 19 de junho de 2026, número que mostra como o registro deixou de ser etapa burocrática para se transformar em fosso competitivo.
Banca Sella abre trilha semelhante para o segundo semestre
A Conio não está sozinha. O Banca Sella, banco italiano com mais de um século de operação, anunciou no fim de maio aprovação MiCA para custódia e transferências, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026. Quando bancos atuam como CASPs, a distribuição integra pagamentos, KYC e mecanismos já consolidados para clientes.
Esse arranjo cria vantagem estrutural difícil de replicar. Bancos europeus já operam sob supervisão prudencial, têm áreas de compliance maduras e canais de relacionamento construídos ao longo de décadas. Exchanges offshore, por outro lado, enfrentam reestruturações societárias, exigência de equipes locais e expectativas de localização de dados antes mesmo de protocolar pedidos.
Contraste com o marco legal brasileiro ainda em construção
Para o investidor brasileiro, o caso europeu funciona como espelho do que pode acontecer por aqui. O Banco Central ainda finaliza a regulamentação das prestadoras de serviços de ativos virtuais prevista na Lei 14.478, e o debate sobre liberação de stablecoins no Brasil caminha em ritmo próprio. O MiCA oferece passaporte único, enquanto o Brasil favorece instituições autorizadas, seguindo modelo bancário europeu atual.
Exchanges globais que atuam no Brasil acompanham de perto. A rejeição grega pode criar precedente para reguladores questionarem estruturas offshore, governança e práticas de compliance. O caso da disputa entre CME e CFTC nos Estados Unidos reforça que perímetros regulatórios estão sendo redesenhados em todas as jurisdições relevantes.
Concentração de custódia vira novo risco do modelo
O outro lado da moeda é a centralização. Se poucos bancos dominarem a distribuição, a previsibilidade aumenta, mas riscos operacionais e concentração também crescem. Whitelistings e limites de velocidade tendem a reduzir cobertura de tokens, especialmente altcoins de menor capitalização, e podem afetar a profundidade de mercado em pares específicos. Detalhes da autorização constam no site oficial da Consob.
