- Tesouro dos EUA confirma apreensão de cerca de US$ 1 bilhão em cripto do Irã
- Valor dobra em pouco mais de um mês e supera marca de abril
- Operação Economic Fury cerca regime e mira receitas em Bitcoin e stablecoins
O governo dos Estados Unidos já confiscou cerca de US$ 1 bilhão em criptoativos vinculados ao Irã, segundo declaração do secretário do Tesouro Scott Bessent no Reagan National Economic Forum. O número dobra a cifra divulgada no fim de abril e marca uma escalada da apreensao cripto contra o regime de Teerã.
“Acreditamos ter confiscado cerca de um bilhão de dólares em cripto deles”, afirmou Bessent. “Simplesmente pegamos as carteiras. Alguns talvez estejam digitando agora e ainda não perceberam que a carteira foi tomada.”
A fala foi feita durante painel transmitido ao vivo pela organização do evento.
A confiscação faz parte da Operation Economic Fury, campanha de pressão financeira lançada em março de 2026 contra o Irã. A iniciativa combina apreensão de carteiras digitais, congelamento de contas bancárias e cooperação com aliados europeus para tomar imóveis ligados a integrantes do regime.
Como os EUA chegaram ao bilhão
Antes da operação, Bessent estima que o governo iraniano desviava entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões por mês, divididos entre cerca de 80 figuras do alto escalão. O cerco financeiro teria estrangulado esse fluxo. A inflação local passou de 200%, vouchers de alimentação voltaram a ser distribuídos e a internet foi cortada em diversas regiões.
O secretário também afirmou que entre 40% e 50% das tropas iranianas estão sem receber salário. Para Bessent, a combinação de cinco a seis semanas de campanha militar com a ofensiva econômica deixou o regime “no fim do seu Tether”, em trocadilho com a maior stablecoin do mundo.
O salto de valor é expressivo. No fim de abril, o Tesouro havia anunciado a apreensão de US$ 500 milhões. Pouco antes, o número divulgado era de US$ 344 milhões. Em pouco mais de um mês, portanto, a quantia mais que dobrou sinal de que rastreamento on-chain e cooperação com exchanges centralizadas continuam acelerando.
Leitura para o investidor brasileiro
Para o mercado, a operação reforça duas teses que vêm pesando na precificação dos ativos. A primeira é o uso crescente de stablecoins por regimes sancionados o que justifica iniciativas como o GENIUS Act nos Estados Unidos e pode acelerar a discussão de regras semelhantes no Brasil. O Banco Central já endureceu o cerco com normas próprias para prestadores de serviço de ativos virtuais.
A segunda tese destaca a vulnerabilidade das carteiras quando alguém identifica a contraparte. Apreensões dessa magnitude não acontecem em carteiras frias bem desenhadas exigem cooperação de exchanges, identificação de endereços via análise de cluster e, em alguns casos, acesso a chaves armazenadas em provedores. Quem opera com volumes relevantes em corretoras brasileiras deve acompanhar como a Receita Federal e a CVM tratarão pedidos internacionais futuros.
O movimento também explica parte da pressão sobre o Bitcoin nas últimas semanas. O ativo opera a US$ 73.458 (cerca de R$ 371,5 mil), com leve queda de 0,3% em 24 horas, depois de uma sequência negativa puxada pelo risco geopolítico. Já a liquidação de US$ 934 milhões registrada após o último ataque ao Irã mostra como o mercado segue refém do noticiário.
Bitcoin no Estreito de Hormuz
No lado iraniano, o regime estuda usar a infraestrutura cripto justamente para driblar sanções. Um documento estatal citado pela agência Fars descreve a plataforma “Hormuz Safe”, que venderia seguros marítimos digitais pagos e liquidados em Bitcoin, com receita potencial superior a US$ 10 bilhões.
Em abril, porta-voz do sindicato de exportadores de petróleo iraniano declarou que navios poderão atravessar o estreito mediante pagamento de tarifa de US$ 1 por barril em Bitcoin. A página oficial do Tesouro dos EUA centraliza as notas técnicas sobre sanções e novas designações ligadas à Operation Economic Fury.
