Gillibrand quer barrar memecoins de políticos após Trump lucrar US$ 1,4 bilhões

  • Gillibrand quer proibir congressistas e cônjuges de emitir ou promover memecoins
  • Trump declarou US$ 1,4 bilhão em renda cripto no exercício de 2025
  • Cláusula ética virou trava para avanço do CLARITY Act no Senado

A senadora democrata Kirsten Gillibrand voltou a defender uma proibição para que membros do Congresso norte-americano e seus cônjuges emitam ou promovam memecoins. O reforço veio depois que o presidente Donald Trump divulgou uma renda de aproximadamente US$ 1,4 bilhão ligada a criptoativos no exercício fiscal de 2025.

Em nota publicada na sexta-feira, Gillibrand classificou a medida como “exigência de bom senso” e afirmou esperar apoio bipartidário. Para a senadora, autoridades públicas e familiares não deveriam lançar tokens enquanto votam regras que afetam o próprio setor em que possuem interesse financeiro.

A cobrança acontece em meio à tramitação do CLARITY Act, projeto que pretende definir a estrutura regulatória para ativos digitais nos Estados Unidos. A senadora disse manter a expectativa de aprovação no Comitê Bancário do Senado nas próximas duas semanas, mas condicionou o apoio democrata à inclusão de pontos ainda em aberto.

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Cláusula ética trava CLARITY Act no Senado

Segundo Gillibrand, três frentes seguem sem consenso nas negociações, rendimentos de stablecoins, salvaguardas contra finanças ilícitas e a cláusula ética que impediria funcionários do governo de criar ou divulgar criptomoedas. A parlamentar já havia levantado o tema em entrevista à Bloomberg durante a conferência Solana Accelerate, em Miami.

Democratas argumentam que a legislação de estrutura de mercado não pode avançar sem limites aplicáveis a agentes eleitos e suas famílias. O receio é que autoridades lucrem com ativos cujos preços podem ser influenciados pelas próprias políticas que ajudam a desenhar. Sem essa trava, dizem os parlamentares, o texto perde sua função de proteção ao consumidor.

O impasse ganhou peso após a divulgação financeira de Trump. O documento apontou que o projeto do memecoin TRUMP, lançado pouco antes da posse do segundo mandato presidencial, gerou centenas de milhões de dólares a entidades ligadas à família do presidente. Muitos investidores de varejo, por outro lado, amargaram prejuízos após o token despencar do pico atingido nas primeiras semanas.

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Trump nega irregularidade nos lucros

Questionado por repórteres, Trump negou qualquer irregularidade. O presidente afirmou que os ganhos não são ilegais e que seus investimentos são administrados por grupos externos. Também vinculou parte da renda à valorização do mercado acionário, dizendo que investidores em geral se beneficiaram da alta de ativos no período.

Ainda assim, o número reforçou a pressão de parlamentares que veem conflito de interesse entre o cargo e os negócios cripto do presidente. Para esses senadores, a cifra bilionária serve como argumento adicional para incluir restrições éticas no texto final do CLARITY Act.

O gabinete de Gillibrand já havia protocolado propostas específicas sobre o tema em rodadas anteriores de negociação. A senadora sinalizou disposição para apoiar o projeto, mas condicionou o voto à presença da cláusula ética no texto que chegar ao plenário.

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CVM observa debate ético dos EUA

O debate ecoa em Brasília. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central acompanham a evolução do arcabouço americano para calibrar as próprias regras. A discussão sobre memecoins emitidos por agentes públicos ainda não tem paralelo formal na regulação brasileira, mas exchanges locais já operam listagens de tokens políticos internacionais o que amplia a exposição do investidor doméstico ao risco reputacional dessas operações.

No plano local, o BC segue detalhando regras de capital para exchanges cripto, cronograma previsto para 2027. Já a discussão sobre stablecoins em audiência pública na Câmara mostra que o Congresso brasileiro está atento à corrida regulatória global.

Nos mercados, o Bitcoin negociado a US$ 62.490 (R$ 325.287) nesta sexta-feira, com alta de 1,7% em 24 horas. O token TRUMP, por sua vez, permanece bem abaixo do pico registrado no início de 2025, quando negociava próximo a US$ 75. Analistas do setor apontam que o padrão de queda de memecoins políticos após o lançamento se repete, liquidez concentrada nos primeiros dias, seguida de dispersão e perdas para compradores tardios o mesmo cenário citado por Gillibrand para justificar a nova cláusula de proteção ao consumidor.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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