Hacker do Ryuk se declara culpado por extorsão de US$ 15 milhões em Bitcoin

  • Vardanyan admitiu envolvimento em campanha que arrecadou 1.610 BTC de empresas americanas
  • Empresa de Michigan pagou 200 BTC, o equivalente a US$ 1,1 milhão à época
  • Sentença sai em 22 de setembro de 2026 e pode chegar a 15 anos de prisão

Um dos operadores do ransomware Ryuk aceitou responder pelos crimes que ajudaram a movimentar mais de US$ 15 milhões em Bitcoin durante uma onda de ataques a empresas americanas. Karen Serobovich Vardanyan, cidadão armênio de 34 anos extraditado da Ucrânia, se declarou culpado no dia 8 de julho por conspiração e fraude eletrônica em uma corte federal de Portland, no Oregon.

A campanha criminosa se estendeu de novembro de 2019 a abril de 2020, período em que o grupo infiltrou redes corporativas, criptografou arquivos e paralisou operações inteiras. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, as vítimas encontravam estações de trabalho travadas e recebiam uma nota exigindo pagamento em BTC em troca das chaves de descriptografia.

Empresa de Michigan pagou 200 bitcoin para destravar rede

Entre os casos citados pela promotoria, o mais expressivo envolveu uma companhia de Michigan que transferiu 200 BTC aos criminosos valor equivalente a mais de US$ 1,1 milhão no momento da transação. Uma empresa de tecnologia em Wilsonville, no Oregon, e uma escola no Texas atacada em fevereiro de 2020 também figuram entre as vítimas identificadas na denúncia.

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Ao todo, os investigadores atribuem ao esquema aproximadamente 1.610 bitcoin em pagamentos de resgate. Cotado ao preço atual de US$ 64.114 por unidade, o mesmo montante superaria hoje US$ 103 milhões cerca de R$ 529 milhões pela taxa do dólar em R$ 5,1040. O comunicado do DOJ, porém, não divulgou o histórico das carteiras nem o detalhamento por vítima.

O modus operandi combinava intrusão, criptografia em massa e negociação. Após espalhar o Ryuk por centenas de servidores, os invasores deixavam um e-mail de contato na tela das máquinas comprometidas. A partir daí, iniciava-se a barganha, valor do resgate, comprovação do pagamento em Bitcoin e liberação parcial das chaves. O grupo lucrava com a urgência de empresas que não podiam parar por dias.

Acordo prevê restituição de US$ 1,1 milhão antes da sentença

Vardanyan foi indiciado por um grande júri em Portland em 22 de fevereiro de 2024 por conspiração, fraude computacional e extorsão. O acordo de delação resolve as duas primeiras acusações e o obriga a restituir mais de US$ 1,1 milhão às vítimas. A sentença final está marcada para 22 de setembro de 2026.

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As penas máximas somadas chegam a 15 anos de prisão cinco pela conspiração e dez pela fraude além de multas de US$ 250 mil por cada crime e três anos de liberdade supervisionada. O juiz federal ainda deverá avaliar diretrizes federais de dosimetria antes de definir o tempo efetivo de cárcere. A operação de extradição contou com articulação entre FBI, DOJ e autoridades ucranianas.

Caso reforça rastreabilidade do Bitcoin em investigações

O desfecho contradiz o argumento recorrente de que o Bitcoin seria um refúgio anônimo para o cibercrime. Como nos casos Bitfinex e Lazarus, análise forense conectou endereços, rastreou conversões em exchanges e sustentou acusações internacionais. Ferramentas como Chainalysis e TRM Labs se tornaram peças centrais na estratégia do FBI contra ransomware.

Para o mercado brasileiro, o caso ecoa em um momento de endurecimento regulatório. Receita Federal ampliou em 2025 reporte de corretoras via IN 2.081, enquanto Banco Central detalha marco dos prestadores. Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso operam com KYC e comunicação ao Coaf, dificultando saques ilícitos sem alertar autoridades.

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A Polícia Federal, por sua vez, mantém acordos de cooperação com o setor cibernético do FBI e já participou de operações envolvendo lavagem cripto. Um brasileiro condenado nos EUA por participar de esquema semelhante ao Ryuk enfrentaria o mesmo tipo de acordo de restituição que Vardanyan firmou em Portland.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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