- Texas nomeia cinco especialistas para administrar reserva estratégica de Bitcoin
- Comitê inclui executivos de mineração, professora de direito e gestora institucional
- Estado abre processo para contratar custodiante e portal público de transparência
O Texas avançou nesta semana mais uma etapa para tirar do papel sua reserva estratégica de Bitcoin. O controlador interino do estado, Kelly Hancock, anunciou a formação do comitê consultivo que vai orientar a gestão dos ativos digitais mantidos pelo governo texano, marco que consolida o estado como o mais avançado dos EUA na adoção institucional de BTC.
O grupo foi criado para dar suporte técnico à administração da Texas Strategic Bitcoin Reserve, estrutura aprovada pelo Senate Bill 21 na 89ª legislatura estadual. Cabe ao colegiado opinar sobre critérios de valuation, exigências de custódia e controles de risco aplicáveis às posições em criptomoeda do tesouro estadual. A reserva foi sancionada quando o BTC operava em patamar superior ao atual hoje a cotação está em US$ 72.730, equivalente a cerca de R$ 369 mil.
Quem são os cinco nomes escolhidos
Além do próprio Hancock, o comitê reúne quatro profissionais com perfis distintos. Laurie Dotter, executiva de investimentos de longa data, preside hoje o conselho consultivo do Employees Retirement System of Texas e já integrou o Investment Advisory Board do gabinete do controlador. A presença dela traz peso institucional ao colegiado.
Dois nomes vêm direto da mineração. Jamie McAvity é fundador e CEO da Cormint Data Systems, mineradora texana que opera uma planta de 130 megawatts em Fort Stockton. Gary Vecchiarelli, presidente e CFO da CleanSpark, ajudou a desenhar o framework de gestão de ativos digitais usado pelos clientes institucionais da empresa. A escolha sinaliza que o Texas pretende tratar a reserva como ativo operacional, não como mero registro contábil.
O quarto assento ficou com Carla Reyes, professora de direito da SMU especializada em regulação de blockchain e direito comercial. Reyes também integra o Innovation Advisory Committee da CFTC, o que dá ao Texas uma linha direta com o regulador federal de derivativos. Em um momento em que o Congresso americano debate o avanço do CLARITY Act, ter essa expertise dentro do comitê reduz o risco de descompasso entre a política estadual e o arcabouço que está sendo desenhado em Washington.
Custódia, transparência e o próximo passo
Em paralelo à formação do comitê, o gabinete do controlador publicou um Request for Proposals para contratar a empresa que vai prestar serviços de custódia e liquidez. O contratado terá duas obrigações principais, proteger as posições em Bitcoin do estado e construir um portal público com dados das reservas e conteúdo educativo. A exigência de um site aberto coloca o Texas em um padrão de transparência raro para fundos soberanos de cripto.
“A Legislatura deu ao gabinete do controlador a responsabilidade clara de administrar a Texas Strategic Bitcoin Reserve, e esse trabalho precisa ser feito com transparência, segurança e controles financeiros sólidos”, afirmou Hancock no comunicado oficial.
Segundo ele, o comitê existe para garantir que a reserva seja tratada “com cuidado, responsabilidade e no melhor interesse dos contribuintes texanos”.
O que isso significa para o investidor brasileiro
Para o mercado brasileiro, o movimento tem leitura dupla. Primeiro, reforça a tese de que governos subnacionais nos EUA estão se antecipando à União em adoção de BTC algo que ainda não tem paralelo claro no Brasil, onde o Banco Central segue cauteloso e o debate sobre uma reserva federal de Bitcoin não chegou ao Congresso. Iniciativas como a tokenização de ações pela B3 caminham por outra trilha, focada em mercado secundário, não em tesouro público.
Segundo, a estruturação do comitê texano contrasta com decisões recentes do setor privado. Enquanto o Texas formaliza governança para acumular, casos como o da Sequans encerrando sua tesouraria de BTC mostram que nem toda estratégia corporativa de Bitcoin sobrevive a ciclos de baixa. A diferença é o horizonte, estado não precisa marcar a mercado nem prestar contas trimestrais a acionistas. Esse perfil de comprador paciente tende a reduzir oferta líquida em exchanges, vetor que historicamente sustenta preços no médio prazo.
