Foundation capta US$ 6,4 milhões para controlar agentes de IA com cripto

  • Foundation Devices captou US$ 6,4 milhões para infraestrutura de autorização de agentes de IA
  • Empresa por trás da carteira Passport leva modelo de chaves do Bitcoin para permissões programáveis
  • Camada de policy busca limitar o que bots autônomos podem fazer em carteiras cripto

A Foundation Devices, fabricante da carteira de hardware Passport, anunciou uma rodada de US$ 6,4 milhões para entrar num mercado que mal existia há 12 meses, a camada de autorização para agentes de inteligência artificial. A aposta combina segurança de chaves privadas, modelo no qual a empresa construiu reputação, com permissões programáveis para bots autônomos que já começam a movimentar dinheiro em carteiras cripto.

Fundada em 2020 por Zach Herbert em Boston, a Foundation ficou conhecida pela filosofia open source da Passport, uma hardware wallet exclusiva para bitcoin, e pelo app Envoy. O DNA da casa é minimizar confiança em terceiros. Agora esse mesmo princípio vai migrar para outro problema, o que acontece quando um agente de IA precisa autorização para gastar, contratar serviços ou interagir com APIs em nome do usuário.

De carteira Bitcoin para camada de policy

O reposicionamento é sutil, mas relevante. Carteiras de hardware protegem chaves. O que a Foundation quer construir protege decisões. Em vez de só assinar uma transação on-chain, o usuário define regras explícitas sobre o que um agente autônomo pode ou não fazer com seus ativos digitais, contas bancárias conectadas e dinheiro.

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O diagnóstico do time é direto, a corrida atual em torno de agentes de IA está obcecada por capacidade. Mais autonomia, mais encadeamento de tarefas, mais integrações. Quase ninguém trabalha no oposto, ou seja, na restrição. Falta o botão vermelho que realmente funcione quando o agente sai do roteiro.

O problema deixou de ser hipotético. Agentes já executam trades, rebalanceiam portfólios e interagem com protocolos DeFi a partir de carteiras conectadas. A pergunta “quem autorizou esse bot a tirar US$ 10 mil da minha wallet para uma pool de liquidez às 3h da manhã” virou rotina nos canais de suporte de exchanges e provedores Web3.

Por que importa para o investidor brasileiro

Para o usuário no Brasil, o tema esbarra direto em duas frentes regulatórias em andamento. O Banco Central ainda finaliza as regras de prestadores de serviços de ativos virtuais previstas na Lei 14.478, enquanto a CVM trata tokens com características de valor mobiliário caso a caso. Em ambos os ambientes, a noção de “ordem autorizada pelo titular” é central para definir responsabilidade em caso de perda. Um agente de IA agindo sem trilha clara de permissão cria um buraco jurídico que nenhuma corretora local quer absorver.

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O paralelo com episódios recentes ajuda a dimensionar o risco. Em outubro, a comunidade cripto correu para revisar chaves de API depois de uma brecha em repositórios públicos, alerta que partiu até de executivos de grandes exchanges. Agentes mal configurados ampliam essa superfície de ataque, porque concentram permissões amplas num único processo automatizado.

O jogo competitivo e o tamanho da aposta

A interseção entre IA e carteiras cripto virou um dos cantos mais disputados do venture capital. A maior parte das startups, porém, está construindo os próprios agentes ou os trilhos on-chain que eles usam. A Foundation se coloca na camada intermediária, entre intenção do usuário e execução do bot. É outra parte da pilha e, segundo a tese da empresa, com menos concorrência direta.

Os US$ 6,4 milhões são modestos para padrões de venture, mas marcam virada relevante para uma companhia que operava enxuta e com ethos bitcoin-maxi. A Foundation deixa de ser fabricante de um produto único para se posicionar como infraestrutura de protocolo. Vale lembrar que iniciativas adjacentes vêm ganhando tração, a Ripple também investe em camadas de segurança que extrapolam o produto original.

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Há risco evidente de timing. Se a adoção real de agentes autônomos demorar, o mercado para autorização encolhe junto. O contra-argumento é prático. Cinto de segurança se instala antes da batida. Detalhes podem ser conferidos no site oficial da Foundation Devices. O próximo episódio de drenagem automatizada de uma wallet por bot mal configurado deve ditar o quanto o setor estará disposto a pagar pelo cinto.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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