- Fusaka aumentou blobs por bloco de 9 para 72, mas blocos pesados estão sendo descartados.
- Blocos com muitos blobs elevam o risco de falha no próximo bloco, aponta MigaLabs.
- Desenvolvedores pedem análises e ajustes antes de ampliar ainda mais a capacidade.
O recente upgrade Fusaka, que aumentou significativamente a capacidade de dados enviados por blockchains de camada 2, tem causado dificuldades na rede Ethereum.
Blocos com muitos “blobs” — pacotes de dados enviados por redes como Arbitrum e Base — têm apresentado maior chance de falha, alertam pesquisadores.
Por que os blocos com muitos blobs estão sobrecarregando a rede
Antes do Fusaka, Ethereum aceitava até 9 blobs por bloco. Com a atualização, a capacidade inicial aumentou para 72, via uma série de mini-upgrades: primeiro para 15 e depois para 21 blobs.
Entretanto, blocos que testam esses limites mostram problemas de propagação de dados, Leonardo Bautista Gomez, fundador da MigaLabs, destacou:
“É importante não aumentar ainda mais a capacidade de blobs até compreendermos totalmente o que está acontecendo”.
Segundo ele, o risco não é imediato, mas a situação merece atenção para não comprometer a estabilidade do Ethereum.
Além disso, práticas conhecidas como “timing games”, em que validadores atrasam a publicação de blocos para maximizar lucros de MEV, podem explicar parte do problema.
Pesquisas da PandaOps indicam que isso representa cerca de 90% dos casos em blocos com alto número de blobs.
Impactos e recomendações para o futuro da rede
A dificuldade de propagação de dados em blocos maiores pode afetar a eficiência da rede e, potencialmente, a estabilidade em momentos de maior tráfego.
Por isso, desenvolvedores defendem ajustes menores e melhorias de eficiência antes de aumentar a capacidade de blobs.
Alex Stokes, da Ethereum Foundation, comentou:
“Dada a novidade dessa técnica, aumentar demais agora não é a decisão mais sábia”.
O consenso atual é aplicar atualizações graduais, reforçar análises técnicas e monitorar a rede de perto.
Apesar dos desafios, especialistas garantem que o Ethereum ainda opera de forma estável e eficiente. Gomez conclui:
“Se houver algum problema, muito provavelmente conseguiremos resolver, pois seguimos um processo cuidadoso de implementação.”
