Mercado de previsões ou arma informacional? Apostas na Polymarket acendem alerta em Washington

Mercado de previsões ou arma informacional? Apostas na Polymarket acendem alerta em Washington
  • Apostas milionárias na Polymarket movimentaram odds e influenciaram ciclos de notícias geopolíticas.
  • Carteiras ligadas ao caso Maduro ficaram inativas; uma reapareceu em aposta sobre o Irã.
  • Parlamentares dos EUA alertam para possível uso do mercado para “lavar” informação sensível.

A Polymarket enfrenta novas críticas após apostas envolvendo Venezuela e Irã levantarem suspeitas de manipulação narrativa e uso indevido de informação privilegiada.

Movimentos milionários teriam influenciado odds e amplificado ciclos de notícias geopolíticas sensíveis.

Apostas geopolíticas levantam suspeitas

A polêmica começou com o chamado “caso Maduro”, no início do mês, uma carteira anônima transformou US$ 30 mil em mais de US$ 400 mil ao apostar na queda do presidente venezuelano. A operação ocorreu poucas horas antes de sua captura por forças dos EUA.

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Depois disso, o presidente Donald Trump afirmou que um vazador venezuelano ligado à operação já estava preso. A declaração ampliou a pressão política sobre a Polymarket.

Além disso, dados da Lookonchain indicam que duas das três carteiras ligadas aos lucros ficaram inativas por 11 dias. O movimento reforçou especulações sobre ações de autoridades ou corretoras.

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Entretanto, a terceira carteira voltou a operar. Dois dias atrás, ela apostou que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, deixará o poder até 31 de janeiro. O mercado segue aberto, enquanto protestos continuam no país.

“Lavagem de informação” preocupa analistas

Ao mesmo tempo, apostas sobre um possível ataque dos EUA ao Irã ampliaram o debate. Uma grande carteira assumiu posição relevante em “Sim” pouco antes do fechamento temporário do espaço aéreo iraniano.

Por isso, as odds subiram para 51%, com quase US$ 50 milhões em volume negociado. Entretanto, o ataque não ocorreu, o mercado foi resolvido em “Não”. Como resultado, o trader perdeu 255.817 cotas, com prejuízo de cerca de US$ 40 mil, após um ganho potencial de US$ 160 mil.

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Mesmo assim, analistas alertam para o risco de “information laundering”. A prática envolve apostar cedo, gerar repercussão nas redes e reverter a posição após o mercado reagir.

Como as odds da Polymarket circulam amplamente no X e no Telegram, elas acabam tratadas como sinais reais de risco geopolítico. Assim, uma única aposta pode gerar manchetes e influenciar decisões.

Reação política e possíveis impactos

Após o caso Maduro, o deputado Ritchie Torres apresentou o Public Integrity in Financial Prediction Markets Act of 2026. O projeto busca proibir autoridades dos EUA de apostar quando tiverem acesso a informações não públicas.

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A proposta já reúne dezenas de coautores na Câmara, mas ainda não foi votada e não possui versão no Senado.

Até agora, não há provas de envolvimento direto de insiders nos mercados sobre o Irã. Ainda assim, o padrão de apostas abruptas e picos rápidos mantém a Polymarket sob escrutínio crescente.

No fim, o risco deixa de ser apenas financeiro, a preocupação agora é como essas apostas podem moldar narrativas e influenciar o que o mundo acredita que está prestes a acontecer.

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Adepto do DeFi e convertido à descentralização, deixei o sistema financeiro tradicional para viver a revolução cripto de dentro. Respirando blockchain, escrevendo sobre o que move o futuro — longe dos bancos, perto da liberdade.
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