- Morpho levanta US$ 175 milhões em rodada liderada por Paradigm, Ribbit e a16z crypto
- Protocolo soma US$ 6,6 bilhões em TVL e atende Coinbase, Kraken e Galaxy Digital
- Apollo, Circle Ventures e VanEck entram na cap table e reforçam apetite institucional
A plataforma de empréstimos descentralizados Morpho fechou uma rodada de US$ 175 milhões que pode levar o protocolo a um valuation de até US$ 2 bilhões. O cheque foi liderado por Paradigm, Ribbit Capital e a16z crypto, com participação de nomes pesados do mercado tradicional como Apollo Funds, Circle Ventures e VanEck. A informação foi publicada pela Fortune nesta terça-feira.
A composição da rodada chama atenção menos pelo tamanho e mais pelos investidores. Apollo gere mais de US$ 700 bilhões em ativos. VanEck opera ETFs spot de Bitcoin e Ethereum. Circle emite a USDC. Ter os três na mesma cap table de um protocolo DeFi sinaliza que a fronteira entre finanças tradicionais e on-chain segue diluindo.
US$ 6,6 bilhões em TVL e clientes como Coinbase e Kraken
Fundada em 2021 pelo empresário francês Paul Frambot ao lado de três cofundadores, a Morpho cresceu rápido no segmento de lending. Os dados do DefiLlama mostram cerca de US$ 6,6 bilhões em TVL, colocando o protocolo entre os maiores nichos da DeFi atual.
O modelo permite que qualquer participante crie mercados de empréstimo customizados, com parâmetros próprios de colateral, oráculo e curva de juros. Esse desenho atraiu nomes como Coinbase, Kraken, Anchorage Digital e Galaxy Digital, que rodam produtos institucionais sobre a infraestrutura. A Coinbase, por exemplo, oferece empréstimos em USDC com garantia em BTC usando trilhos da Morpho.
Frambot afirmou que a próxima etapa do protocolo passa por capturar bancos e gestoras dispostas a embutir produtos DeFi em suas estratégias. O recado dialoga com a tendência observada em rivais, a Aave também avança em integrações com tesourarias corporativas, e o setor de empréstimo on-chain virou alvo de disputa entre balcões cripto e bancos digitais.
Apetite institucional segue firme apesar da correção
A rodada acontece em um momento curioso para o mercado. O Bitcoin opera perto de US$ 62.297, com queda de 0,6% em 24 horas, e o Ethereum oscila ao redor de US$ 1.669. Apesar da pressão vendedora vista em ETFs spot e da retração no varejo, o capital privado continua direcionado para infraestrutura on-chain sinal de que o capex institucional opera em ciclo distinto do preço dos ativos.
O movimento também contrasta com episódios recentes de estresse no setor. A Aave perdeu mais de US$ 8 bilhões em depósitos em 48 horas em meio a um exploit no ecossistema, expondo o quanto a DeFi ainda depende de governança ativa para conter risco sistêmico. Para a Morpho, o desafio de escalar para clientes regulados é, em larga medida, o desafio de provar que mercados isolados de empréstimo aguentam choques sem contágio.
O que muda para o investidor brasileiro que opera DeFi
No Brasil, o ângulo regulatório pesa. A CVM classificou parte dos protocolos DeFi como infraestrutura financeira sujeita à Lei 14.478, e o Banco Central avança no marco de prestadores de serviços de ativos virtuais com prazo regulatório se aproximando. Uma Morpho institucionalizada com Apollo e VanEck no quadro de sócios tende a abrir caminho para que gestoras locais ofereçam exposição a yield on-chain via veículos regulados, algo que hoje exige estrutura offshore.
Há ainda o componente competitivo. Bancos americanos como JPMorgan, Citi e Bank of America trabalham em uma rede tokenizada para concorrer com stablecoins e protocolos abertos. A captação da Morpho é, na prática, contrapeso: mostra que o capital de risco aposta que o lending permissionless ainda vence em custo e velocidade quando comparado a redes fechadas de bancos.
Frambot mira bancos e gestoras como próximo cliente
A Morpho não divulgou cronograma para listagem do token de governança nem detalhes sobre uso dos recursos. Frambot indicou que o foco será produto institucional, integrações com custodiantes regulados e expansão para mercados de crédito tokenizado. A Circle Ventures na rodada reforça a tese, empréstimos colateralizados em USDC seguem como o caso de uso mais maduro da DeFi atual.
