- NEAR Intents perdeu US$ 3,8 milhões por falha no sistema de pontes Omni
- Token NEAR recuou 8,6% dois dias após estreia de ETF spot nos EUA
- Depósitos seguem suspensos em 11 redes, incluindo BNB Chain e Polygon
Um serviço de swap entre blockchains construído sobre o NEAR Protocol perdeu cerca de US$ 3,8 milhões em um exploit na quinta-feira. A falha atingiu a NEAR Intents, camada que permite trocar um token de uma rede por outro ativo em cadeia diferente, sem que o usuário precise operar pontes manualmente.
O token NEAR respondeu rápido. Queda de 8,6% em poucas horas, derrubando o ativo para a faixa dos US$ 4,92 e o valor de mercado para cerca de US$ 6,4 bilhões.
O timing pesou. O ataque ocorreu apenas dois dias depois de a Bitwise estrear o primeiro ETF spot de NEAR nos Estados Unidos — produto cuja tese de investimento citava justamente a NEAR Intents e seus mais de US$ 32 bilhões em volume de swaps processados.
Bug no sistema Omni abriu a porta
Segundo a equipe responsável, o problema nasceu na interação entre o sistema de depósitos e saques Omni e o contrato inteligente que registra cada operação na NEAR Intents. Não foi comprometimento de chave privada nem ataque de engenharia social. Foi código.
O investigador on-chain ZachXBT apontou saídas irregulares na carteira quente do serviço na BNB Chain antes de as transações serem interrompidas. Carteira quente é o endereço conectado à internet usado para pagar saques — justamente o ponto mais exposto de qualquer serviço custodial ou semicustodial.
Os fundos roubados seguiram para a exchange KuCoin e foram convertidos em Bitcoin, conforme o rastreamento. É o padrão clássico pós-exploit: mover rápido para um ativo líquido antes que endereços sejam marcados por provedores de compliance.
A NEAR Intents afirma ter corrigido a falha no contrato, prometeu ressarcir integralmente os usuários afetados e registrou boletim junto a autoridades. Um relatório técnico completo foi prometido para os próximos dias.
Depósitos suspensos em 11 redes
Depósitos e saques permanecem pausados em onze blockchains: BNB Chain, Polygon, TON, Optimism, Avalanche, Stellar, Monad, X Layer, ADI, Scroll e Plasma. Quem mantém ativos dessas redes dentro da NEAR Intents ainda consegue convertê-los em outros tokens assim que o serviço principal voltar.
Ponto que importa para quem avalia o risco: nem o comunicado oficial nem o alerta de ZachXBT indicam perda na blockchain NEAR em si. Ambos apontam para a ponte do serviço de swap e para a carteira na BNB Chain. A distinção é técnica, mas relevante — o consenso da rede não foi tocado.
Mesmo assim, o mercado raramente separa as duas coisas no curto prazo. Foi o que se viu no preço.
Segundo exploit do ecossistema NEAR em 2026
Não é caso isolado. Em abril, a Rhea Finance, também do ecossistema NEAR, perdeu US$ 7,6 milhões. Somados, os dois incidentes passam de US$ 11 milhões em um ano em que o token havia subido cerca de 175% em setembro, puxado pela expectativa do ETF da Bitwise.
O setor como um todo vem de um mês ruim. Perdas com ataques a plataformas cripto saltaram 462% em setembro, com o rombo na Bitget figurando como o maior do ano. Pontes e serviços cross-chain continuam sendo o elo mais frágil da infraestrutura — concentram liquidez de várias redes num único contrato.
Investidor brasileiro e a regra de custódia do Banco Central
Para quem opera do Brasil, o episódio reforça um ponto prático. Serviços de swap cross-chain não são corretoras reguladas: não há segregação patrimonial obrigatória, nem exigência de prova de reservas, nem supervisão de órgão nacional.
A Resolução BCB nº 519/2025 trouxe exigências de custódia e segregação de recursos para prestadoras de serviço de ativos virtuais autorizadas no país. Protocolos descentralizados e pontes internacionais ficam fora desse perímetro — o usuário assume integralmente o risco de código.
A promessa de ressarcimento da NEAR Intents é voluntária. Não há fundo garantidor por trás dela, e a execução depende do caixa da própria equipe. Exchanges brasileiras que eventualmente listem NEAR não respondem por perdas ocorridas em protocolos de terceiros.
O BTC era negociado a US$ 84.189 (R$ 436.814,63) no momento desta publicação, com variação de -0,1% em 24 horas — contexto de baixa volatilidade que deixa movimentos isolados de altcoins ainda mais visíveis.



