Ondo coloca ETF da BlackRock e ações da Micron na Ethereum

  • Ondo emite tokens lastreados em ETF da BlackRock e ações da Micron na Ethereum
  • Estrutura segue modelo custodial descrito pela SEC em janeiro
  • Produto ainda não está disponível para investidores dos EUA

A Ondo Finance ativou a primeira operação de valores mobiliários tokenizados dos Estados Unidos totalmente enquadrada no perímetro regulatório do país. O lançamento coloca cotas do iShares Core S&P 500 ETF, da BlackRock, e ações da fabricante de chips Micron diretamente na rede Ethereum.

A tese central é montar um trilho compatível com a Securities and Exchange Commission sem depender de emissores estrangeiros nem de estruturas offshore. Cada token é lastreado 1 para 1 pelos papéis originais, mantidos na cadeia tradicional de custódia dos EUA. A emissão é feita pela Oasis Pro TA, agente de transferência registrado na SEC e controlado pela própria Ondo.

Modelo custodial da SEC em ação

A arquitetura segue à risca o documento publicado pela SEC em janeiro, que autorizou um desenho específico para levar ações e ETFs para o blockchain sem contornar as regras de valores mobiliários. Um custodiante regulado guarda os ativos subjacentes, enquanto o agente de transferência credenciado registra a titularidade em rede pública.

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Nesse arranjo, o token não é um derivativo sintético nem um espelho de preço criado por uma exchange no exterior. Ele representa uma reivindicação legal sobre o papel custodiado, algo que projetos anteriores raramente conseguiram entregar dentro dos EUA. A Broadridge Financial Solutions completa o desenho ao fornecer voto por procuração, comunicações do emissor e obrigações de disclosure.

Com isso, quem detém o token recebe direitos de governança equivalentes aos de um acionista tradicional, e não apenas exposição de preço. Esse detalhe diferencia a proposta da Ondo de veículos como as ações tokenizadas que circulam em plataformas offshore desde 2020.

Produto ainda fora do alcance do investidor dos EUA

Apesar do enquadramento local, o serviço não está disponível para residentes dos Estados Unidos no lançamento. A restrição indica que a Ondo ainda depende de etapas adicionais de autorização junto à SEC e à Finra para operar em varejo doméstico. O anúncio funciona, na prática, como uma prova de conceito regulatória.

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Ian De Bode, presidente-executivo da Ondo Finance, argumentou que o mercado costuma tratar a tokenização como escolha entre modelos rivais. Segundo ele, a companhia construiu infraestrutura para acomodar todos os desenhos previstos pela regulação americana. Doug DeSchutter, presidente da divisão de comunicação com investidores da Broadridge, disse que a escala do setor exige entregar inovação e confiança do investidor simultaneamente.

A empresa já roda uma operação relevante fora dos EUA. A plataforma Ondo Global Markets soma mais de US$ 1 bilhão em ações e ETFs tokenizados, com mais de 430 papéis catalogados, e recentemente foi expandida para a BNB Chain para atender clientes não americanos. A SEC também arquivou, no início do ano, uma investigação aberta na gestão anterior contra a companhia.

Corrida por ações tokenizadas ganha novo concorrente

O passo da Ondo intensifica a disputa por um mercado que a BlackRock, o Citi e o próprio Nasdaq projetam superar a casa dos trilhões de dólares na próxima década. A Robinhood lançou uma L2 na Ethereum voltada a ações tokenizadas para europeus, e a Kraken opera com xStocks fora dos EUA. A diferença é que a Ondo é a primeira a ancorar o produto no arcabouço americano.

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Para o investidor brasileiro, o movimento tem leitura dupla. De um lado, valida o Ethereum como camada de liquidação para produtos regulados, algo relevante para gestoras locais que estudam fundos com exposição a RWA. De outro, coloca pressão sobre a CVM, que ainda amadurece o sandbox de tokenização e a interpretação sobre valores mobiliários emitidos em blockchain. Enquanto isso, o ETH negociado a US$ 1.711,90 subiu 6,5% nas últimas 24 horas, em parte carregado pelo fluxo de teses ligadas a produtos institucionais lastreados na rede.

A revisão das regras de ETFs em curso na SEC pode acelerar a liberação do produto da Ondo para o público doméstico, caso o regulador consolide o modelo custodial como padrão para ativos tokenizados nos EUA.

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