- Mastercard passa a liquidar RLUSD em oito redes, incluindo XRP Ledger
- SBI VC Trade recebe aval da JFSA para listar RLUSD no Japão
- Flutterwave adota stablecoin como ativo de liquidação na África
A Ripple consolidou em uma única lista os oito movimentos mais relevantes da RLUSD nos últimos meses, sinalizando que a stablecoin quer ocupar espaço em infraestrutura de pagamentos, câmbio institucional e liquidez on-chain. O balanço foi divulgado em 29 de junho por Jack McDonald, SVP de Stablecoins da companhia, em publicação na rede X.
A lista cobre integrações com Mastercard, entrada regulada no Japão, expansão na Turquia, parceria com a Bitso no México, investimento estratégico na africana Flutterwave, suporte multichain via Wormhole, novas listagens em corretoras e uma iniciativa filantrópica ligada ao acesso à água. É um retrato de como a Ripple tenta transformar a ripple stablecoin em ativo de liquidação para além do próprio XRP Ledger.
Mastercard liquida RLUSD em oito redes
O anúncio de maior peso envolveu a Mastercard, que passou a aceitar a RLUSD dentro de sua estrutura de liquidação em oito blockchains diferentes, incluindo o XRP Ledger. Na prática, bancos e adquirentes que já usam a rede da bandeira podem fechar operações com a stablecoin sem sair do fluxo tradicional de compensação.
McDonald descreveu o passo como “sinal de que as stablecoins estão entrando na infraestrutura mais crítica de pagamentos do mundo”. A adesão da Mastercard chega poucas semanas depois de a Ripple aparecer também no consórcio da stablecoin Open USD com BlackRock, sugerindo estratégia dupla, participar do trilho compartilhado com concorrentes e, ao mesmo tempo, empurrar o token próprio.
Outra frente foi o mercado japonês. A SBI VC Trade obteve autorização da Japan Financial Services Agency (JFSA) para distribuir a RLUSD, abrindo acesso regulado em uma das jurisdições mais rígidas do setor. Segundo a Ripple, é a porta de entrada para instituições e investidores de varejo que operam sob o regime japonês de ativos digitais.
Turquia, México e África entram no mapa
Na Turquia, a stablecoin passou a ser negociada por meio de acordos com BiLira, Bitexen e Bitlo, todas locais e reguladas. O objetivo declarado é abastecer participantes institucionais em um mercado que combina inflação elevada com forte demanda por dólar sintético.
No México, a Ripple estreitou laços com a Bitso: RLUSD e MXNB agora rodam sobre o Permissioned DEX do XRP Ledger, uma versão do livro de ordens com participantes autorizados. A combinação conecta as duas stablecoins a corredores de câmbio Estados Unidos-América Latina, faixa em que a Ripple concorre diretamente com Circle e Tether.
Já a aposta na África veio via investimento estratégico na Flutterwave. A processadora de pagamentos deve usar a RLUSD como ativo de liquidação em corredores de alto volume, tocando remessas e settlement business-to-business no continente. O padrão se assemelha ao que outras stablecoins têm feito em economias com fricção cambial.
Wormhole, listagens e doações
Do lado técnico, a RLUSD virou multichain com o suporte de Native Token Transfers (NTT) da Wormhole. A escolha permite mover tokens entre redes, reduz riscos de bridges e amplia tokenização e integrações institucionais com segurança. As exchanges Gate e Floq listaram o token, enquanto o Squid Router integrou a distribuição ao seu roteador cross-chain.
Por fim, a Ripple entrou na campanha GetBlue, da ONG Water, como parceira exclusiva de pagamentos digitais. O uso da RLUSD promete cortar custos e tempo em doações internacionais, área em que stablecoins têm ganhado tração como alternativa ao SWIFT.
Para o investidor brasileiro, o balanço tem leitura direta. O XRP é negociado em US$ 1,06 (R$ 5,49), pressionado após meses de queda, e o crescimento de uso do XRP Ledger via RLUSD funciona como argumento de fundamento contra o cenário técnico ruim. No Brasil, o debate regulatório sobre stablecoins segue aberto, com a ABToken defendendo o setor na Câmara enquanto o Banco Central estuda travas para movimentação em autocustódia. Uma eventual chegada da RLUSD ao país dependerá menos da Ripple e mais do desfecho dessa disputa. O post original de McDonald detalha cada uma das oito frentes.
