- Solv migra US$ 700 mi em Bitcoin tokenizado para Chainlink
- Decisão segue hack de US$ 292 mi na Kelp DAO via LayerZero
- Protocolo deprecia bridges em 4 blockchains diferentes
O protocolo Solv anunciou quinta-feira a migração de mais de US$ 700 milhões em infraestrutura de Bitcoin tokenizado do LayerZero para o Chainlink CCIP. A mudança ocorre semanas após o exploit de US$ 292 milhões na Kelp DAO, que usava tecnologia de bridge do LayerZero.
Will Wang, CTO do Solv Protocol, justificou a decisão: “A segurança é a base de tudo que construímos no Solv, e nossa migração para o Chainlink CCIP reforça esse compromisso no mais alto nível”. O executivo afirmou que a mudança posiciona o protocolo para escalar com “a confiabilidade e segurança de nível institucional que o mercado exige”.
Impacto direto em quatro blockchains
A migração afetará diretamente usuários em Corn, Berachain, Rootstock e TAC. O Solv está depreciando o suporte de bridge do LayerZero para essas redes, padronizando toda a infraestrutura no Chainlink CCIP. Tokens SolvBTC e xSolvBTC nessas blockchains precisarão ser movidos através do novo sistema.
Lançado em 2021 na rede Ethereum, o Solv Protocol construiu seu modelo de negócios em torno do SolvBTC — um token atrelado ao valor do Bitcoin. A plataforma permite que investidores implementem wrapped BTC e outros ativos baseados em Bitcoin em múltiplas blockchains para gerar rendimento. Com mais de US$ 700 milhões em valor total bloqueado, a decisão representa uma das maiores migrações de infraestrutura no ecossistema DeFi este ano.
Histórico de ataques pressiona mudança
Bridges cross-chain se tornaram o calcanhar de Aquiles do DeFi. O ataque de US$ 622 milhões à bridge Ronin da Axie Infinity em 2022 e o hack de US$ 230 milhões da exchange indiana WazirX em 2024 demonstram a vulnerabilidade dessas infraestruturas. Investigadores vincularam ambos os ataques a grupos de hackers patrocinados pela Coreia do Norte.
No caso da Kelp DAO, o LayerZero atribuiu o ataque ao grupo Lazarus da Coreia do Norte em abril. A empresa alegou que o projeto usava configuração de verificador único, apesar de recomendações para múltiplos validadores. A Kelp DAO contestou essa versão esta semana, acusando o LayerZero de aprovar a configuração explorada. Como o Solv, a Kelp também anunciou planos para redesenhar seu sistema cross-chain usando Chainlink CCIP.
Johann Eid, Chief Business Officer do Chainlink Labs, celebrou a migração: “Estamos orgulhosos de trabalhar com a equipe Solv e apoiar sua migração para o Chainlink CCIP como a forma padronizada de transferir seus ativos de Bitcoin wrapped entre blockchains”. Ele interpretou o movimento como parte de “uma mudança mais ampla na indústria DeFi de protocolos líderes adotando Chainlink”.
Segurança versus descentralização
A decisão do Solv levanta questões sobre o equilíbrio entre segurança e descentralização no DeFi. Chainlink CCIP usa múltiplos validadores independentes para verificar transações, diferente do modelo de verificador único que comprometeu a Kelp DAO. Mas concentrar US$ 700 milhões em uma única infraestrutura também cria novos riscos sistêmicos.
Para investidores brasileiros que usam Bitcoin tokenizado em protocolos DeFi, a migração sinaliza priorização da segurança sobre a diversificação de infraestrutura. O movimento pode inspirar outros protocolos a reavaliar suas dependências de bridges, especialmente após o aumento de 73% em hacks DeFi registrado em 2026.
O comunicado do Solv menciona “hacks cross-chain recentes observados na indústria” sem citar diretamente a Kelp DAO. A empresa disse que conduziu “uma revisão extensiva de segurança” antes da decisão. Com a padronização no Chainlink CCIP, o protocolo busca oferecer “a mais alta garantia de que infraestrutura comprovada e com defesa em profundidade protege todas as transferências cross-chain”.
