- Tron faturou US$ 624 milhões em 2025 e manteve dinâmica deflacionária do TRX.
- Ethereum gerou US$ 260 milhões, mas enfrentou US$ 1,88 bilhão em custos inflacionários.
- Solana arrecadou US$ 170 milhões e acumulou US$ 4,32 bilhões em diluição.
A lucratividade da Tron em 2025 revelou um ponto sensível para Ethereum e Solana.
Dados da Kaiko mostram que, enquanto a rede fundada por Justin Sun operou no azul, as principais blockchains de camada 1 registraram prejuízo quando considerados os efeitos da inflação de tokens.
Receita existe, mas a diluição pesa
Segundo a Kaiko, quase todas as grandes redes fecharam 2025 no vermelho, a exceção foi a Tron.
A análise considera não apenas a receita com taxas, mas também o impacto da emissão de novos tokens para remunerar validadores. Esse mecanismo, comum em redes como Ethereum e Solana, dilui o valor dos detentores.
Ethereum arrecadou mais de US$ 260 milhões em taxas no ano passado. Entretanto, a emissão de novos ETH gerou um custo inflacionário estimado em US$ 1,88 bilhão.
Solana apresentou US$ 170 milhões em receita. Por outro lado, a inflação de SOL alcançou US$ 4,32 bilhões no mesmo período.
Por isso, ambas ficaram profundamente negativas sob a ótica do investidor.
Laurens Fraussen, analista da Kaiko, foi direto:
“Isso expõe uma realidade desconfortável que o mercado ignorou amplamente”.
Além disso, ele destacou que, embora os protocolos não tenham sido criados como empresas tradicionais, o investidor atual observa esses números com atenção.
Tron constrói base estável com stablecoins
Enquanto concorrentes dependem mais de ciclos especulativos, a Tron consolidou uma base de receita recorrente. A rede se tornou o principal trilho para transações de stablecoins, especialmente USDT.
Isso garante fluxo constante de taxas, além disso, sustenta um “piso de receita” que outras redes ainda não possuem.
Em 2025, a Tron destruiu mais tokens TRX do que emitiu. Portanto, criou uma dinâmica deflacionária rara no setor. Essa característica reduziu a pressão sobre o preço e beneficiou os detentores.
De acordo com dados da DefiLlama, a Tron segue liderando em receita entre blockchains. Esse desempenho ganha peso adicional em um cenário de maior escrutínio institucional, impulsionado pelos ETFs spot de criptomoedas.
Além disso, investidores institucionais passaram a avaliar fundamentos com mais rigor. Métricas como geração líquida de valor e sustentabilidade do modelo econômico ganham espaço.
Fraussen resumiu o contraste: Ethereum e Solana dependem mais de atividade especulativa, “onde a renda com taxas acompanha a especulação, não a utilidade”.
Esse debate tende a se intensificar. À medida que o mercado amadurece, a narrativa pode migrar de crescimento de usuários para eficiência econômica.
Nesse contexto, a rentabilidade da Tron pressiona rivais a revisarem incentivos, emissão e estrutura de custos.
No fim, a questão deixa de ser apenas tecnológica. Torna-se financeira, e, cada vez mais, institucional.
