- FOCIL será o destaque do upgrade Hegota, previsto para o 2º semestre de 2026.
- Proposta obriga validadores a incluir 100% das transações, até as ligadas a endereços sancionados.
- Críticos alertam para riscos jurídicos, sobretudo nos Estados Unidos.
A comunidade da Ethereum Foundation confirmou a inclusão da proposta FOCIL no upgrade Hegota, previsto para o segundo semestre de 2026.
A medida promete reforçar a resistência à censura da rede, mas também levanta preocupações legais para validadores.
O que é FOCIL e por que ele gera controvérsia
FOCIL significa “Fork-Choice Enforced Inclusion Lists”, na prática, a proposta obriga validadores a incluir todas as transações enviadas à rede. Isso inclui operações associadas a endereços sancionados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA.
A confirmação ocorreu na última reunião de desenvolvedores principais. O pesquisador Alex Stokes, da Ethereum Foundation, confirmou a decisão.
Segundo Jihoon Song, também pesquisador da fundação, a mudança é estratégica.
“À medida que escalamos, a força de centralização em direção a atores sofisticados aumenta, e o FOCIL impede que esses atores censurem transações”, afirmou no podcast Ready to Merge, em 19 de fevereiro.
Hoje, basta que um único validador inclua uma transação para que ela seja processada. Entretanto, o FOCIL transforma essa possibilidade em obrigação protocolar. Portanto, a neutralidade deixa de depender de decisões individuais.
O upgrade Hegota sucede o Glamsterdam, ele traz ainda outras propostas estruturais. Entre elas, estão o Enshrined Proposer-Builder Separation e listas de acesso em nível de bloco.
Resistência à censura como princípio central
A resistência à censura é um dos pilares do Ethereum. Além disso, sustenta a narrativa de rede descentralizada e sem permissões.
Durante as sanções ao Tornado Cash, cerca de 90% dos validadores deixaram de incluir transações ligadas ao protocolo, segundo críticos da proposta. Ainda assim, algumas operações foram confirmadas porque poucos validadores aceitaram processá-las.
Com o FOCIL, esse cenário muda. Validadores não poderão escolher ignorar transações válidas. Por isso, defensores argumentam que a rede se tornará mais neutra.
Riscos legais e impactos para validadores
Nem todos apoiam a mudança, Ameen Soleimani, fundador do Privacy Pools, afirma que os benefícios podem estar superestimados.
Segundo ele, validadores baseados nos Estados Unidos poderiam enfrentar problemas legais ao processar transações ligadas a endereços sancionados. Portanto, o risco regulatório pode aumentar.
Por outro lado, desenvolvedores influentes defendem a proposta. O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, declarou que o FOCIL pode fortalecer protocolos de privacidade quando combinado com a proposta Frame Transactions.
Já o desenvolvedor Tim Clancy chamou o FOCIL de “a proposta mais importante para o Ethereum”. Em sua avaliação, a mudança garante a neutralidade do espaço em bloco.
O debate ocorre em um momento de maior pressão regulatória global. Além disso, cresce a preocupação com concentração de validadores em grandes operadores institucionais.
Se aprovado como planejado, o Hegota pode redefinir a relação entre descentralização e conformidade regulatória. A decisão, portanto, não é apenas técnica. Ela toca no núcleo político e econômico do Ethereum.
No fim, a discussão sobre FOCIL revela um dilema clássico das blockchains públicas: manter neutralidade absoluta ou adaptar-se às exigências estatais. O segundo semestre de 2026 pode marcar um novo capítulo nessa disputa.
