USDe da Ethena salta US$ 560 mi em 5 dias na Solana

  • USDe da Ethena recebe US$ 560 milhões de oferta na Solana em cinco dias
  • Capitalização do dólar sintético atinge US$ 9,5 bilhões e ocupa 3º lugar
  • Estratégia de looping com taxas baixas impulsiona adoção fora do Ethereum

A oferta do dólar sintético USDe, emitido pela Ethena, cresceu mais de US$ 560 milhões na rede Solana ao longo de cinco dias. O movimento consolida a blockchain como o segundo principal destino do ativo, fora do Ethereum, e reforça a corrida das stablecoins não tradicionais por presença multichain.

O salto não é trivial. Em apenas uma semana, a Solana absorveu volume equivalente ao que outras redes levaram meses para acumular. Taxas baixas e alta vazão de transações explicam parte do apelo, já que estratégias de rendimento com USDe exigem múltiplas interações por usuário.

O tamanho do USDe no mercado

O dólar sintético da Ethena se tornou o terceiro maior ativo atrelado ao dólar em circulação no setor. A capitalização chegou a aproximadamente US$ 9,5 bilhões, com alta de cerca de 75% desde meados de julho. Só USDT, da Tether, e USDC, da Circle, aparecem à frente.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O mercado total de stablecoins gira hoje em torno de US$ 287 bilhões. Dentro desse universo, a fatia da Ethena cresce mais rápido que a média, puxada por mecânica de rendimento e demanda nativa do DeFi — não por parcerias com exchanges centralizadas, caminho histórico de USDT e USDC.

Diferente das emissoras tradicionais, a Ethena não mantém reservas 1:1 em caixa e títulos do Tesouro americano. O USDe usa estratégia delta-neutra: colateral em cripto combinado com posições vendidas equivalentes em derivativos. O hedge anula a oscilação de preço e o funding rate gera o rendimento distribuído ao usuário.

Por que Solana virou imã de USDe

O combustível da expansão atende pelo nome de looping. O usuário deposita USDe ou a versão staked sUSDe em um protocolo de empréstimo, toma crédito contra essa posição, reaplica os fundos tomados e repete o ciclo. Cada volta amplifica a exposição ao rendimento.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Esse padrão só fecha conta em redes baratas. Em Ethereum, taxas de gás corroem parte do retorno quando o ciclo precisa ser repetido várias vezes. Na Solana, o custo por transação fica em frações de centavo. Quanto mais protocolos aceitam o token como colateral, mais oportunidades de looping surgem — e o efeito de rede se retroalimenta.

O movimento conversa com um quadro mais amplo. A oferta total de stablecoins na Solana já se aproxima de patamares inéditos, conforme mostrou o levantamento sobre stablecoins na rede. O influxo da Ethena adiciona uma camada nova: liquidez programada para gerar yield, não apenas para circular como par de negociação.

Leitura para o investidor brasileiro

Para o público local, o avanço importa por dois motivos. O primeiro é prático: corretoras brasileiras que listam ativos da Solana ganham acesso indireto a uma poça de liquidez em dólar sintético, útil para pares de negociação e para estratégias de yield em plataformas DeFi. O segundo é regulatório.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

No Brasil, o Banco Central trabalha em normas para stablecoins dentro do marco de ativos virtuais. Modelos colateralizados em cripto e dependentes de derivativos, como o USDe, tendem a receber tratamento mais conservador que aqueles lastreados em títulos públicos. Investidores que usam o token via protocolos descentralizados precisam considerar esse risco antes do que pode vir como regra local.

O looping também tem mão dupla. Em mercados calmos e com funding rate positivo, a alavancagem multiplica ganhos. Quando o funding inverte ou aparece susto de depeg, a desmontagem das posições ocorre em cascata. O episódio do UST, da Terra, em 2022, e a desvalorização temporária do USDC em março de 2023 mostraram como liquidações encadeadas em DeFi atingem até stablecoins consideradas robustas.

A trajetória da Ethena, de projeto nativo do Ethereum para emissora multichain, comprime em meses um percurso que Tether e Circle levaram anos para completar. A velocidade vem da demanda interna do DeFi, e não de balcões institucionais. Conforme apontou a Ripple ao executar o maior burn de RLUSD em Ethereum, o segmento de stablecoins entra em fase de competição direta entre emissores nativos e tradicionais. Detalhes adicionais aparecem na documentação oficial da Ethena.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Compartilhe este artigo
Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
Sair da versão mobile