CEO da BTCTOP defende Strategy e diz que Saylor sobrevive até a US$ 30 mil

CEO da BTCTOP defende Strategy e diz que Saylor sobrevive até a US$ 30 mil
  • Jiang Zhuoer afirma que Strategy não vai virar vendedora líquida de Bitcoin
  • Dívida da empresa representa apenas 5% dos ativos, segundo o executivo chinês
  • Vendas pontuais de BTC antigo servem para pagar juros do STRC

O temor de que a Strategy, antiga MicroStrategy, possa se tornar uma vendedora forçada de Bitcoin ganhou uma resposta inesperada vinda da China. Jiang Zhuoer, CEO da mineradora BTCTOP e um dos nomes mais antigos do setor no país, publicou no X uma análise detalhada sobre o balanço da empresa de Michael Saylor e cravou, o modelo aguenta o tranco, mesmo num cenário em que o BTC desabe a US$ 30 mil.

A defesa veio em meio à desconfiança crescente do mercado com a estrutura de capital atrelada ao STRC, papel preferencial usado pela companhia para financiar novas compras de Bitcoin. Investidores temem que, com o BTC pressionado negociado a US$ 62.842 nesta segunda-feira, ou cerca de R$ 326,5 mil, a Strategy seja obrigada a despejar moedas no mercado para honrar dividendos.

Venda pontual não vira saldo vendedor

O centro do argumento de Jiang é uma distinção contábil simples: vender algum Bitcoin não é a mesma coisa que ser vendedor líquido. Segundo o executivo, a Strategy pode liquidar lotes antigos e mais baratos do estoque para registrar ganho realizado, usar esse lucro para pagar juros do STRC e, em paralelo, captar mais recursos para comprar volumes maiores de BTC.

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Em discussão traduzida do mandarim e atribuída a um grupo de analistas chineses, Jiang afirmou que Saylor já tinha explicado a lógica da última venda em entrevista.

“Ele queria vender STRC”, resumiu o texto.

A tese parte do pressuposto de que o Bitcoin compõe a cerca de 30% ao ano no longo prazo, enquanto o custo do STRC fica próximo de 10%. A diferença, na conta do mineiro, sustenta o modelo.

Esse raciocínio joga luz sobre a recompra de 1.550 BTC anunciada por Saylor dias após a venda polêmica que assustou o mercado. Para Jiang, o movimento confirma a estratégia: girar parte do estoque antigo para manter a captação em pé e seguir acumulando.

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Dívida de 5% e comparação com imóvel

O executivo da BTCTOP rebateu ainda os receios sobre o STRC negociado abaixo do par. Para ele, a relação dívida/ativo da Strategy está em torno de 5%, patamar que descarta risco de insolvência. O desconto no papel seria um problema de sentimento de curto prazo, não estrutural alguns meses de pagamentos em dia, segundo Jiang, devolveriam a confiança no instrumento.

A analogia escolhida foi imobiliária.

“Tenho US$ 10 bilhões em casas e peguei emprestado US$ 500 milhões”, traduziu o grupo.

“Enquanto eu estiver disposto a vender uma casa, não há como não pagar os US$ 500 milhões.”

A lógica, para reduzir o risco percebido pelo credor, basta mostrar disposição de monetizar parte do colateral.

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Jiang também separou dois perfis que tendem a ser confundidos. O comprador de STRC não está apostando na valorização do BTC quer receber dividendos. Já o acionista de MSTR e o detentor de Bitcoin nu compram tese de alta. Ao demonstrar que pode realizar ganhos quando necessário, a Strategy atende justamente a expectativa do credor preferencial.

Por que o investidor brasileiro precisa acompanhar

Para o mercado local, a discussão é mais do que acadêmica. MSTR figura em BDRs negociados na B3 e em carteiras de fundos brasileiros que buscam exposição indireta a Bitcoin via ações. Uma eventual queda forte do papel respinga no IBIT e em outros ETFs disponíveis para brasileiros via corretoras internacionais.

Há também a leitura on-chain. Relatórios da Glassnode vêm apontando, como mostrado em análise de que o Bitcoin segue em zona de risco, pressão vendedora persistente nos ETFs spot americanos. Se a Strategy passar a operar como vendedora recorrente ainda que líquida compradora no agregado, o fluxo de venda visível pode amplificar o nervosismo de curto prazo.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.