- 21Shares condiciona meta de US$ 100 mil à ruptura de US$ 70 mil no BTC
- Bitcoin recuou cerca de 2% após decisão do Fed sob Kevin Warsh
- Estrategista vê consolidação atual como pausa, não reversão de tendência
A gestora suíça 21Shares traçou um cenário em que o Bitcoin pode chegar a US$ 100 mil até o fim do terceiro trimestre. A condição é uma só, romper, com força, a resistência dos US$ 70 mil. A projeção é assinada por Matt Mena, estrategista sênior de pesquisa em criptoativos da casa.
No momento, o BTC opera em US$ 64.550, equivalente a R$ 328.273, com queda de 1,6% nas últimas 24 horas. O recuo veio na esteira da primeira decisão de política monetária comandada por Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve.
O mapa de Mena até os US$ 100 mil
Para o estrategista da 21Shares, o movimento atual é consolidação, não inversão de tendência. Ele descreve um roteiro técnico em três etapas. Primeiro, o BTC precisa reconquistar US$ 70 mil. Em seguida, viria o reteste de US$ 75 mil. O alvo seguinte é US$ 80 mil, patamar já tocado em maio. Só então a meta dos seis dígitos voltaria ao radar.
“O Bitcoin segue estruturalmente bem posicionado”, afirmou Mena em relatório publicado pela 21Shares.
A leitura coloca o nível de US$ 70 mil como divisor de águas entre a fase de acomodação e uma nova tentativa de superar as máximas anteriores.
O viés altista da gestora não está isolado. Dias antes, o Standard Chartered também listou sinais positivos para o ativo, embora com alvo mais conservador. O contraste mostra como a leitura de curto prazo continua dividida entre as mesas institucionais.
Warsh estreia com tom hawkish e pressiona risco
O Federal Reserve manteve a taxa de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% na estreia de Warsh. A decisão era esperada. O choque veio do dot plot: a mediana das projeções dos diretores agora aponta para a possibilidade de uma alta de juros ainda neste ano, contrariando o consenso anterior de cortes.
O pano de fundo macro pesa. A inflação americana opera no maior nível em três anos, em parte por causa do salto recente nos preços de energia ligado à tensão no Oriente Médio. Some-se a isso a decisão do Banco do Japão de elevar sua taxa básica a 1%, maior patamar desde 1995. O carry trade do iene, que historicamente alimenta a liquidez global, perde força nesse arranjo.
Mena também destacou um aspecto pessoal de Warsh. O novo chair do Fed é o primeiro com vínculos diretos com a indústria cripto, incluindo investimentos antigos em projetos do setor. Declarou-se publicamente entusiasta do Bitcoin. Para o estrategista, esse perfil não muda a política monetária no curto prazo, mas altera o tom da comunicação oficial sobre ativos digitais.
Acumulação silenciosa segue firme
Enquanto a tese de Mena depende da reação à política do Fed, dados on-chain mostram que carteiras grandes não esperaram pela decisão. Endereços acumularam cerca de 125 mil BTC nas semanas que antecederam a reunião. Esse comportamento sugere que parte do mercado tratou a queda como oportunidade, não como sinal de saída.
Para o investidor brasileiro, o cenário traz uma camada extra de complexidade. O Copom seguiu trajetória oposta à do Fed e cortou a Selic para 14,25%. A divergência entre os ciclos americano e brasileiro tende a influenciar o real frente ao dólar, hoje em R$ 5,1049, e impactar diretamente quem opera BTC em reais nas exchanges nacionais.
Baleia de 2018 movimenta US$ 156 milhões em BTC
O mercado também monitora movimentos antigos. Uma carteira dormente por sete anos despertou e transferiu 2.373 BTC, equivalentes a aproximadamente US$ 156 milhões. Episódios desse tipo costumam injetar volatilidade adicional em janelas de indecisão técnica, justamente como a atual, em que o ativo testa suportes próximos de US$ 64 mil sem direção clara.
