Altseason não vem: divergência entre OTHERS/BTC e índice intriga

  • OTHERS/BTC fechou maio com alta de 14,5%, mas índice altseason caiu 10%
  • Dominância do Bitcoin segue travada em 60% e bloqueia rotação ampla
  • Ethereum a US$ 2.001 trava narrativa com TVL na DeFi de volta a US$ 40 bilhões

A tese de que junho destravaria a tão esperada altseason ganhou força nas mesas de trade, mas os indicadores que costumam confirmar uma rotação ampla de capital continuam emitindo sinais contraditórios. O segundo trimestre de 2026 expõe um descompasso raro entre métricas que historicamente caminham juntas.

O Bitcoin, negociado em US$ 71.060 (R$ 359.015) após queda de 3,1% em 24 horas, acumula valorização superior a 6% no segundo trimestre. A maior parte dos top caps amarga prejuízo no período. A dominância do BTC permanece ancorada perto dos 60%, com avanço adicional de 1,85% no recorte trimestral.

Fonte: coinmarketcap

Quando se olha para o OTHERS/BTC razão que mede a capitalização das altcoins fora do top 10 contra o Bitcoin, o cenário muda. O indicador sobe mais de 6% no trimestre e fechou maio com ganho expressivo de 14,5%. Em tese, é o tipo de leitura que precede temporadas de altcoins.

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Divergência com o índice altseason

O problema está no Altcoin Season Index, do BlockchainCenter. Segundo os dados públicos do indicador, ele encerrou maio em queda superior a 10%. A leitura sugere que o grosso das altcoins ainda perde para o Bitcoin no recorte de 90 dias.

A divergência tem explicação técnica. O OTHERS/BTC capta movimento mesmo quando poucos ativos puxam o índice. Já o Altcoin Season Index exige participação ampla pelo menos 75% das top 50 superando o BTC em 90 dias. Em outras palavras, há rotação. Só que ela está concentrada em meia dúzia de outperformers, não no setor inteiro.

O caso mais citado é a Hyperliquid (HYPE), que segue em tendência de alta sem arrastar pares. Arthur Hayes chegou a defender que o token pode ultrapassar a Solana ainda neste ciclo, ilustrando como o capital especulativo se desloca em bolsões, não em ondas.

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Ethereum segura a narrativa

O calcanhar de Aquiles da tese de altseason atende pelo nome de Ethereum. O ETH é negociado a US$ 2.001 (R$ 10.077), praticamente estável em 24 horas, e ainda opera quase 60% abaixo do topo do ciclo anterior. Sem fluxo robusto para o ecossistema DeFi liderado pela rede, dificilmente uma rotação ampla se sustenta.

Os dados on-chain reforçam o diagnóstico. De acordo com a DefiLlama, o TVL do Ethereum regrediu para a faixa de US$ 40 bilhões, patamar visto pela última vez no primeiro trimestre de 2024. A oferta de stablecoins na rede está aproximadamente US$ 6 bilhões abaixo do pico de US$ 166 bilhões. São cifras que indicam ausência de capital novo entrando na principal infraestrutura de altcoins.

O movimento de grandes carteiras corrobora. Uma baleia OG do Ethereum vendeu US$ 136 milhões em ETH perto da marca dos US$ 2 mil exatamente a região atual de negociação. A pressão vendedora em níveis psicológicos atrasa a recuperação da segunda maior cripto e, por tabela, do ecossistema que ela ancora.

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O que traders brasileiros devem observar

Para quem opera em real, o cenário pede cautela com a tese de altseason genérica. Em ciclos passados, a dominância do BTC precisou romper a faixa dos 54-55% para destravar movimentos amplos em altcoins de menor capitalização. Os 60% atuais funcionam como teto técnico para qualquer rotação relevante.

O mercado brasileiro sente esse descompasso de forma direta. Exchanges locais reportam volumes concentrados em BTC, ETH e XRP, está negociado a US$ 1,29 após cair a mínimas de 15 semanas. Memecoins e tokens DeFi de menor liquidez seguem com book esticado, refletindo a falta de capital marginal que caracterizaria uma temporada de altcoins plena.

Junho concentra catalisadores potenciais, clareza regulatória nos EUA com o avanço do CLARITY Act, decisões sobre ETFs de altcoins e dados macro do Fed. Sem fluxo entrando em ETH e DeFi, no entanto, a divergência entre OTHERS/BTC e Altcoin Season Index tende a persistir, mantendo a rotação seletiva não generalizada.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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