American Bitcoin produz BTC a US$ 36,2 mil e desafia rivais

  • American Bitcoin produziu cada BTC a US$ 36,2 mil no 1T26, queda de 23%
  • Margem bruta da mineração superou 50% com preço do BTC perto de US$ 80 mil
  • Empresa ligada à família Trump acumula 7.021 BTC e ignora pivô para IA

A American Bitcoin (ABTC), mineradora apoiada pela família Trump, reduziu o custo de produção de cada Bitcoin para cerca de US$ 36.200 no primeiro trimestre de 2026. A queda foi de 23% ante os US$ 46.900 reportados no quarto trimestre de 2025, colocando a empresa entre as mineradoras públicas mais baratas dos Estados Unidos.

O recuo no custo veio da diluição de despesas fixas com produção maior e da chamada “disciplina de preço de energia”. A ativação do site de Drumheller, em Alberta, no fim de março, somou cerca de 3,05 exahash à capacidade computacional. No fechamento do trimestre, a frota total atingia 28,1 exahash distribuídos em aproximadamente 89 mil máquinas ASIC.

Mesmo com a operação eficiente, o balanço registrou prejuízo líquido de US$ 81,8 milhões. O resultado foi puxado por uma baixa contábil não caixa de US$ 117 milhões sobre o estoque de Bitcoin efeito da marcação a mercado do BTC durante a correção do trimestre. A margem bruta da mineração, contudo, ficou acima de 50%.

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Caminho oposto ao pivô de IA

Enquanto a ABTC dobra a aposta em hashrate, o setor caminha em direção contrária. Mineradoras de capital aberto somam mais de US$ 70 bilhões em contratos de infraestrutura para inteligência artificial e reduziram suas tesourarias em mais de 15 mil BTC desde o fim de 2024 para bancar a transição.

Eric Trump, cofundador e diretor de estratégia, defende o foco em escala e baixo custo.

“Aumentar o hashrate é uma das formas como fortalecemos nossa posição em Bitcoin”, afirmou em comunicado recente.

A linha contrasta com decisões como a da TeraWulf, que já vê receita de IA superar a de mineração, conforme mostrou o balanço da rival no mesmo período.

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A reserva estratégica da empresa cresceu 30% no trimestre. Foram somados 1.620 BTC, dos quais 817 vieram da mineração e 803 de compras no mercado aberto, elevando o total para cerca de 7.021 BTC. O modelo lembra a estratégia da Strategy, de Michael Saylor, que retomou compras na semana passada apesar do estresse com investidores institucionais.

Economia da mineração e leitura para o Brasil

O diferencial competitivo da ABTC está na conta de luz. A empresa estima custo de energia abaixo de US$ 0,05 por kWh em suas principais unidades. Para efeito de comparação, mineradoras brasileiras que operam em estados como Paraná e Santa Catarina convivem com tarifas industriais que, mesmo após descontos, ficam acima desse patamar quando convertidas em dólar.

Tarifas crescentes sobre ASICs importados do Sudeste Asiático e sobre aço e cobre usados em containers de mineração pressionam o setor americano. Operadores com hardware antigo ou energia mais cara perdem margem rapidamente em ciclos de queda do BTC. Foi parte do motivo pelo qual a Foundry, controlada pela DCG, defende mudanças no protocolo de pools como o Stratum V2.

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Com BTC oscilando perto de US$ 81 mil durante o trimestre patamar que o ativo voltou a testar nesta semana, conforme acompanhamento do comportamento técnico recente, a diferença de US$ 44 mil entre custo e preço dá folga rara à ABTC. A empresa pode segurar produção em tesouraria sem precisar vender para cobrir despesas operacionais, algo que rivais alavancadas não conseguem fazer.

Para o investidor brasileiro, a leitura tem duas pontas. Empresas listadas expostas diretamente ao hashrate, não à IA, retomam viabilidade diante de spreads de margem extremamente amplos. Segundo, o avanço da concentração em produtores de baixo custo nos EUA tende a empurrar mineradoras menores, inclusive operações latino-americanas para terceirização ou fusão. O número total de máquinas operadas pela ABTC, próximo de 89 mil, equivale sozinho a uma fatia relevante da capacidade pública instalada na América do Norte. Detalhes adicionais estão no filing trimestral protocolado na SEC.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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