- Liquidações cripto somam US$ 1,8 bilhão em 72 horas, com 75% em posições compradas
- Ansem reverte tese e vê Q3 como ponto de entrada após reset de alavancagem
- Glassnode aponta 10,83 milhões de BTC no prejuízo, recorde histórico do ativo
O analista Ansem, uma das vozes mais seguidas do mercado cripto no X, virou a chave. Depois de meses operando com viés baixista, ele agora trata o início do terceiro trimestre como uma janela limpa para montar posição comprada em bitcoin. A mudança chega logo após o flush que derrubou o ativo abaixo da faixa dos US$ 60 mil e que limpou boa parte da alavancagem acumulada nas exchanges.
De acordo com dados da CoinGlass, o mercado de criptomoedas registrou cerca de US$ 1,8 bilhão em liquidações nas últimas 72 horas. Mais de 75% desse volume veio de posições compradas, alinhado à queda semanal de mais de 5% do BTC. O ativo é negociado agora a US$ 59.664, ou R$ 308.814 na conversão direta, com leve alta de 0,3% em 24 horas.
Reset de alavancagem limpa traders comprados
A queda não pegou o mercado totalmente de surpresa. O Bitcoin vinha consolidando próximo de US$ 60 mil havia quase duas semanas, e essa lateralização permitiu o acúmulo de exposição comprada alavancada. Quando o suporte cedeu, as ordens stop foram acionadas em cascata e tiraram da mesa quem apostava em continuação da alta.
Assim, para Ansem, esse choque cumpriu uma função técnica importante: zerou o excesso de alavancagem e expulsou as mãos fracas. Com o posicionamento mais leve, o BTC ficaria em condição melhor para retomar fôlego — desde que a demanda no mercado à vista volte a aparecer. O analista também aponta sinais macro favoráveis, como o esgotamento da rotação para o ouro após quatro semanas de força do dólar e a realização gradual de lucros em ações de inteligência artificial.
O movimento dialoga com o cenário descrito por outros analistas. As liquidações cripto que passaram de US$ 1 bilhão nas sessões anteriores reforçam a leitura de capitulação curta. Já a Glassnode vem destacando que ninguém compra a barganha, sinal de que o spot ainda hesita em assumir o papel de motor da recuperação.
10,83 milhões de BTC no prejuízo
O outro lado da história é desconfortável. Com o Bitcoin perfurando os US$ 59,1 mil intraday, 10,83 milhões de BTC passaram a operar abaixo do preço médio de compra, segundo a Glassnode. É o maior contingente já registrado de moedas em perda não realizada, o que tradicionalmente eleva o risco de venda forçada por holders sob pressão psicológica.
Além disso, os detentores de longo prazo (LTHs) carregam hoje cerca de 14,8 milhões de BTC, algo como 75% do supply em circulação. Desses, aproximadamente 37% estão no vermelho. Quando essa parcela cresce, a história mostra que aumenta também a probabilidade de capitulação de cohorts antes considerados firmes — exatamente o tipo de venda que prolonga correções.
Fed volta ao radar com FOMC de 29 de julho
O componente macro complica a tese otimista. As apostas em alta de juros pelo Federal Reserve na reunião de 29 de julho saltaram para mais de 27%, contra 11% no mês anterior. A virada hawkish dialoga com a leitura recente de Neel Kashkari, que passou a projetar aperto monetário em 2026, e adiciona uma camada extra de risco à compra do dip.
Assim, para o investidor brasileiro, a leitura prática é dupla. Com BTC abaixo de US$ 60 mil e dólar a R$ 5,17, o ponto de entrada em reais segue mais barato que o pico de outubro, mas o real desvaloriza menos o ativo do que em ciclos anteriores. Exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit já operam com spreads ampliados em momentos de alta volatilidade, encarecendo a execução em ordens de mercado. Quem segue a tese de Ansem precisa medir não só o catalisador macro, mas também o custo operacional de comprar exatamente no momento em que a liquidez some.
Vale registrar que Ansem publicou sua revisão de cenário em um post no X, onde detalha a rotação macro de ouro e ações de IA de volta para risco. O próximo gatilho relevante segue sendo o FOMC de julho — e a reação dos LTHs ao primeiro teste de US$ 58 mil.
