- Bitcoin segura nível de US$ 65 mil após queda de até 60% do topo.
- Menos “mãos fracas” no mercado reduzem pressão vendedora.
- Mercados mostram resiliência mesmo com tensão no Oriente Médio.
O Bitcoin pode estar formando uma base sólida na região de US$ 65 mil, segundo Jurrien Timmer, da Fidelity.
Mesmo com volatilidade global, o mercado absorve choques e mantém um viés construtivo.
Mercado resiste a choques e reduz risco sistêmico
Jurrien Timmer descreve o momento como “mais uma montanha-russa”, porém menos preocupante do que parece. Ainda assim, os sinais de estresse seguem limitados.
O petróleo superou US$ 100, mas a curva futura indica alívio adiante, além disso, contratos longos estão cerca de US$ 40 abaixo do preço atual. Isso sugere um choque temporário.
Enquanto isso, o S&P 500 caiu até 9%, mas recuperou quase tudo. Portanto, o mercado acionário demonstra força, os spreads de crédito seguem estáveis, reforçando baixo risco sistêmico.
Além disso, ouro e títulos públicos passaram a se mover juntos. Segundo Timmer, isso reflete fluxos globais e necessidade de liquidez, países afetados podem estar vendendo ativos líquidos.
A trégua entre EUA e Irã também ajudou, o petróleo caiu mais de 17% no anúncio. Por isso, criptomoedas e ações reagiram positivamente no curto prazo.
Bitcoin mostra força técnica e menos pressão de venda
O Bitcoin entra nesse cenário como ativo híbrido, em alguns momentos, se comporta como ouro. Em outros, mostra dinâmica própria.
Quando atingiu US$ 126 mil, houve migração de capital para o ouro. Entretanto, após a correção de até 60%, esse fluxo perdeu força.
Agora, o mercado parece mais “limpo”. Muitos investidores de curto prazo já saíram. Com isso, a pressão vendedora diminuiu de forma relevante.
“Com menos ‘paper hands’, o mercado absorveu grande parte das vendas”, destacou Timmer.
Por outro lado, o ouro pode enfrentar correção após forte alta recente, ainda assim, o estrategista mantém visão positiva para ambos os ativos.
Do ponto de vista técnico, o nível de US$ 65 mil virou suporte importante, portanto, abre espaço para formação de fundo. No entanto, um novo catalisador será necessário para impulsionar a próxima alta.
Riscos seguem no radar, mas cenário ainda é construtivo
Apesar do otimismo moderado, riscos permanecem, um agravamento no Oriente Médio pode impactar até 20% da oferta global de petróleo.
Nesse cenário extremo, poderia surgir um choque estagflacionário. Ou seja, inflação alta com crescimento fraco.
Além disso, há preocupação com juros, o rendimento dos Treasuries de 10 anos se aproxima de 4,5% e pode chegar a 5%.
Outro ponto é a concentração nas grandes empresas de tecnologia. Isso aumenta a vulnerabilidade do mercado.
Ainda assim, Timmer defende uma postura ativa.
“Investidores devem fornecer liquidez, não retirá-la em momentos de estresse”, afirmou.
No fim, o cenário segue positivo, mas exige atenção, o Bitcoin, nesse contexto, pode estar construindo a base para o próximo movimento.
