- Hayes aponta corrida de IA entre EUA e China como motor da próxima alta do Bitcoin
- BTC precisa romper US$ 90 mil para acionar short squeeze rumo a US$ 126 mil
- Taker Buy Sell Ratio em 0,93 mostra rali sem sinais típicos de euforia
O cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, voltou a desenhar um cenário otimista para o Bitcoin. Em ensaio publicado em 12 de maio sob o título The Butterfly Touch, ele afirma que o caminho do BTC até US$ 126 mil é, em suas palavras, inevitável. A projeção sai no momento em que o ativo está negociado em US$ 80.800, após avanços modestos na semana.
O argumento central de Hayes foge da leitura técnica tradicional. Para ele, o motor da próxima perna de alta não está em fluxos de ETFs nem em halvings, mas em uma disputa geopolítica de outra ordem, a corrida pela supremacia em inteligência artificial entre Estados Unidos e China.
A tese da corrida de IA como gatilho monetário
Segundo o executivo, tanto Donald Trump quanto Xi Jinping tratam liderança tecnológica como questão de sobrevivência política. Esse entendimento, na visão dele, força governos e bancos centrais a manter a torneira de crédito aberta alimentando data centers, chips, gasto militar e infraestrutura.
Hayes resume a equação assim, gasto público crescente, expansão monetária e otimismo do investidor formam o ambiente em que ativos de risco escassos prosperam. O Bitcoin, nessa leitura, seria o destino natural do excesso de liquidez. Ele ainda criticou quem ficou de fora do movimento recente, lembrando que o BTC ficou para trás de ações de tecnologia e do ouro nos últimos 24 meses um descompasso que, para ele, está prestes a se inverter.
O ponto técnico mais sensível da projeção é o nível de US$ 90 mil. Hayes argumenta que, ao ultrapassar essa marca, vendedores a descoberto e traders posicionados em opções seriam forçados a recomprar contratos. O resultado seria um short squeeze capaz de acelerar a subida em direção aos seis dígitos altos. A análise dialoga com leituras recentes que mostram o Bitcoin testando médias de longo prazo após semanas de consolidação.
O que as métricas on-chain mostram
Os dados de fluxo ainda não confirmam euforia. O Taker Buy Sell Ratio rondava 0,93, indicação de que vendedores agressivos estavam ligeiramente à frente comportamento típico de realização parcial de lucros em meio a uma alta. Mesmo assim, o preço seguia próximo das máximas, sinal de que a pressão vendedora ainda não rompeu a estrutura do movimento.
O Bitcoin Spot Volume Bubble Map da CryptoQuant reforça a tese de uma acumulação gradual. Não há, por ora, o padrão de compras frenéticas que costuma marcar topos de ciclo. O rali de nove dias consecutivos sugere lucro distribuído ao longo do tempo, em vez de um evento isolado de pânico comprador.
Leitura para o investidor brasileiro
Aqui entra um filtro que Hayes não faz, mas que pesa no bolso de quem opera de São Paulo. A tese de liquidez global esbarra no calendário do Federal Reserve. O Goldman Sachs adiou a previsão de corte de juros para dezembro de 2026, o que estica o cenário de dólar forte e contraria parte do raciocínio de Hayes no curto prazo. Para o investidor brasileiro, isso significa que a tese precisa de paciência, o gatilho monetário pode demorar mais do que o blog post sugere.
Há ainda o efeito câmbio. Um cenário de US$ 126 mil, mantida a paridade, levaria o ativo para a casa dos R$ 680 mil projeção que muda o cálculo de alocação para fundos locais. O Brasil aparece entre os líderes globais em adoção institucional de cripto, e gestoras com mandato em BTC tendem a ser as primeiras beneficiadas caso a tese se materialize.
O encontro entre Trump e Xi em 14 de maio, com tarifas e terras-raras na pauta, será o primeiro teste da narrativa que Hayes vende. Se a retórica sobre IA sair do papel para política industrial concreta, o ensaio do cofundador da BitMEX ganha tração imediata no mercado.
