Banco Central proíbe banco de vender criptomoedas no Brasil.

Banco criptomoedas
  • Banco Central proibiu Banco Topázio de vender criptomoedas por dois anos
  • Regulador aplicou multas superiores a R$ 16 milhões por falhas de controle
  • Decisão amplia pressão sobre bancos e empresas do mercado cripto no Brasil

O Banco Central intensificou a pressão sobre operações com criptoativos no sistema financeiro brasileiro e proibiu o Banco Topázio de realizar negociações de criptomoedas no mercado de balcão pelos próximos dois anos. A decisão, tomada pelo Comitê de Decisão de Processo Administrativo Sancionador (Copas), também impôs multas superiores a R$ 16 milhões à instituição por falhas em controles de prevenção à lavagem de dinheiro e irregularidades em processos de identificação de clientes.

A medida representa uma das ações mais duras já aplicadas pelo regulador brasileiro contra uma instituição financeira com atuação no mercado de ativos virtuais. O caso sinaliza uma mudança de postura do Banco Central, que passou a adotar uma supervisão mais rígida sobre operações envolvendo criptomoedas em bancos e empresas do setor.

De acordo com informações divulgadas pelo Estadão, o processo identificou falhas relevantes nos mecanismos de “know your customer” (KYC), política que exige identificação e verificação de clientes para reduzir riscos de lavagem de dinheiro e financiamento ilícito.

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O Banco Central concluiu que o Banco Topázio realizou operações sem controles adequados de monitoramento e sem cadastros completos de clientes. Técnicos do órgão também apontaram ausência de comunicação de movimentações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O processo analisou operações próximas de US$ 1 bilhão em transações com criptoativos envolvendo 15 pessoas jurídicas. De acordo com o colegiado, parte relevante dessas operações apresentou inconsistências consideradas incompatíveis com os padrões exigidos pelo sistema financeiro nacional.

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Banco e criptomoedas

Assim, as investigações indicaram que essas movimentações representaram parcela significativa das transferências internacionais contratadas pela instituição no período analisado. Em alguns casos, operações classificadas como suspeitas corresponderam a quase metade do volume registrado no mercado primário.

Além da restrição operacional ao banco, o Copas também puniu executivos ligados à gestão da instituição. O administrador Ademir recebeu inabilitação de cinco anos para atuar no sistema financeiro, além de multa individual de R$ 732 mil. Outros dois diretores, identificados como Alisson e Haroldo, receberam penalidades de R$ 471 mil e R$ 358 mil, respectivamente.

O Banco Topázio não comentou publicamente a decisão até a publicação desta reportagem. Procurados pelo Livecoins, os executivos citados no processo também não se manifestaram.

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Além disso, a decisão ocorre em meio ao avanço das discussões regulatórias sobre criptoativos no Brasil. Nos últimos meses, o Banco Central ampliou a fiscalização sobre prestadoras de serviços de ativos virtuais e reforçou exigências relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro, monitoramento de operações internacionais e rastreamento de recursos.

Assim, o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a punição pode servir de referência para outros casos semelhantes no mercado. A avaliação interna do regulador indica que instituições financeiras e empresas ligadas ao setor precisarão reforçar mecanismos de controle, validação cadastral e monitoramento de transações para evitar novas sanções.

O endurecimento da supervisão também acompanha o crescimento das operações com ativos digitais no país. O Banco Central avalia que falhas em controles internos podem comprometer não apenas operações específicas, mas também a integridade do Sistema Financeiro Nacional.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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