Bitcoin cai abaixo de US$ 77 mil após Waller abrir porta para alta de juros

  • Bitcoin opera próximo de US$ 76.700 após discurso hawkish de Christopher Waller
  • Mercado de futuros já precifica 40% de chance de alta de juros em outubro
  • Sentimento do consumidor americano cai a 44,2, menor leitura desde 1952

O Bitcoin perdeu o patamar de US$ 77 mil nesta sexta-feira (22) após o governador do Federal Reserve, Christopher Waller, sinalizar que uma alta de juros voltou ao radar do banco central americano. O ativo é negociado próximo de US$ 76.700, com queda acumulada de cerca de 4,5% na semana.

A reviravolta no discurso de Waller pegou parte do mercado de surpresa. Em palestra realizada em Frankfurt, com o título sugestivo de “Policy Risks Have Changed”, o dirigente defendeu manter as taxas estáveis no curto prazo. Mas abriu a porta para apertos futuros caso a inflação não ceda.

A virada hawkish de Waller

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O peso da declaração está no histórico recente. Waller defendeu cortes totais de 75 pontos-base ao longo do segundo semestre de 2025, posicionando-se como uma das vozes mais dovish do FOMC. A mudança de tom recoloca a discussão sobre aperto monetário no centro do debate interno do comitê.

“Não posso mais descartar altas de juros mais adiante se a inflação não desacelerar logo, e isso é especialmente verdadeiro se medidas de expectativas de inflação, algumas das quais subiram recentemente, mostrarem sinais de desancoragem”, afirmou o dirigente.

A reação foi imediata nos derivativos. Pela ferramenta CME FedWatch, a reunião de 28 de outubro passou a embutir cerca de 40% de chance de uma alta de 25 pontos-base. A manutenção ainda lidera, com aproximadamente 49%, mas a curva de juros futuros se inclinou de forma claramente mais restritiva. O movimento converge com o alerta do Bank of America sobre risco de aperto publicado dias antes.

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Inflação e petróleo voltam ao radar

Assim, os números recentes ajudam a explicar a guinada. O CPI cheio subiu 0,6% em abril, enquanto o núcleo do PCE — métrica preferida do Fed — está rodando perto de 3,3% em base anual. A leitura prolongada acima da meta de 2% tira espaço para flexibilização.

O componente externo agrava o quadro. A escalada do conflito no Oriente Médio sustenta preços do petróleo em patamar elevado, pressionando o repasse para combustíveis e alimentos. A PIMCO já havia alertado para o cenário em nota recente, apontando que uma alta de juros voltaria à mesa caso a energia permanecesse cara.

Além disso, o sentimento doméstico nos Estados Unidos também não ajuda. O índice da Universidade de Michigan despencou para 44,2, a menor leitura da série histórica iniciada em 1952. As expectativas de inflação para um ano subiram para 4,8%, número que costuma alarmar membros mais conservadores do FOMC. Esse dado já foi tratado em análise sobre a tese do Bitcoin como ouro digital.

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O que isso significa para o investidor brasileiro

Para quem opera cripto a partir do Brasil, o efeito chega por dois canais. O primeiro é o aperto nas condições financeiras globais: rendimentos reais americanos mais altos e dólar firme reduzem o apetite por ativos sem yield, justamente o caso do BTC. O segundo é cambial — um dólar mais forte tende a ampliar a volatilidade do Bitcoin cotado em real nas exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit.

Assim, o contexto difere de janeiro de 2024, quando o ETF spot americano destravou fluxo institucional novo. Agora, o mercado enfrenta saída líquida dos fundos — episódio recente mostrou IBIT da BlackRock liderando saques por quatro pregões consecutivos. Sem demanda institucional firme, o BTC fica mais vulnerável a choques macro como o desta sexta.

O discurso completo de Waller está publicado no site oficial do Federal Reserve. Se a tensão no Oriente Médio recuar e o petróleo se acomodar, a precificação hawkish pode se desfazer. Caso a energia siga pressionada, porém, o comitê terá que escolher entre conter a inflação ou preservar o mercado de trabalho — dilema que define o rumo dos ativos de risco até o fim do ano.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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