Alta de juros do BoJ ameaça desencadear nova queda do Bitcoin

  • BoJ deve elevar juros a 1% em junho e atingir maior nível desde 1995
  • Desmonte do carry trade do iene ameaça liquidez global e ativos de risco
  • Episódio de julho e agosto de 2024 já derrubou Bitcoin em cenário similar

A próxima reunião do Banco do Japão (BoJ), marcada para 15 e 16 de junho, voltou ao centro do radar dos investidores em bitcoin. O analista macro pseudônimo arndxt afirmou em publicação no X que a esperada elevação da taxa básica de 0,75% para 1% pode disparar uma nova rodada de vendas no maior criptoativo do mundo. Seria o juro nominal mais alto do Japão desde 1995.

O argumento não gira em torno do aperto monetário em si. O ponto sensível é o que vem depois, o desmonte do chamado carry trade do iene, estratégia em que fundos tomam crédito barato na moeda japonesa para aplicar em ativos de maior rendimento. Bolsa americana, mercados emergentes e criptomoedas figuram entre os destinos preferidos dessa engrenagem há anos.

Japão mira juro mais alto em 30 anos

O Bitcoin opera em US$ 64.122, ou cerca de R$ 327.607, com alta moderada de 0,7% em 24 horas. O patamar, porém, está abaixo das máximas históricas e reflete um mercado já sensível a sustos macroeconômicos. Foi exatamente nesse ambiente que o tema voltou à mesa dos gestores.

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Segundo arndxt, o risco real surge quando o iene se fortalece de forma brusca contra o dólar. Posições alavancadas financiadas na moeda precisam ser liquidadas às pressas, gerando o que ele descreve como aperto global de liquidez. O bitcoin, classificado pelo analista como ativo de alta beta sensível a condições de funding, costuma reagir mal nesse cenário.

O exemplo recente está vivo na memória do mercado. Entre julho e agosto de 2024, uma elevação de juros pelo BoJ jogou o par USD/JPY para baixo, derrubou ações globais e provocou queda acentuada no bitcoin. Desde então, cada movimento de normalização monetária no Japão coincidiu com pressão vendedora no segmento cripto, conforme o analista observou em sua publicação no X.

Combinação de gatilhos amplifica risco

O quadro mais perigoso, segundo o analista, ocorre quando vários fatores se alinham: salto do iene, alta dos rendimentos dos títulos japoneses (JGBs), juros longos americanos elevados, fraqueza da Nasdaq e do setor de semicondutores, além de posicionamento comprado excessivo em criptomoedas.

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“Se a comunicação do BoJ for hawkish, o USD/JPY cair com força e Nasdaq e semis enfraquecerem ao mesmo tempo, o BTC pode ver outro movimento de desalavancagem forçada”, escreveu arndxt.

Para o investidor brasileiro, o canal de transmissão chega de duas formas. A primeira é direta, queda do bitcoin em dólar derruba o ativo precificado em reais, mesmo com o câmbio em R$ 5,1073 oferecendo certa amortização. A segunda é indireta, via aversão a risco global, que historicamente pressiona o real frente ao dólar e drena liquidez de bolsas locais. Para quem opera ETFs de Bitcoin listados nos EUA ou na B3, o efeito tende a ser sentido na abertura do pregão seguinte ao anúncio do BoJ.

Trump fecha acordo com Irã e dá fôlego ao Bitcoin

No curto prazo, contudo, o mercado tem reagido a outro driver. O Bitcoin engatou recuperação no fim de semana após o presidente americano Donald Trump confirmar acordo com o Irã em publicações na Truth Social. O republicano criticou o JCPOA, firmado no governo Obama, e garantiu que o novo entendimento será assinado nos próximos dias, com a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, conforme já repercutiu no mercado.

A redução do prêmio de risco geopolítico abriu espaço para reprecificação em commodities e criptoativos. Ainda assim, traders consultados em mesas de operação tratam o alívio como tático, não estrutural. O calendário aponta para o BoJ na próxima semana, e o histórico do par USD/JPY mostra que pequenas surpresas hawkish podem desencadear movimentos de centenas de pontos-base em horas.

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Há também a leitura de mineradores. Dados recentes mostram capitulação de produtores com margem operacional próxima de 4,67%, indicador que historicamente antecede períodos de volatilidade ampliada. Se o BoJ confirmar o aperto e o iene reagir com força, esse grupo pode acelerar vendas para cobrir custos, somando pressão técnica à pressão macro vinda de Tóquio.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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