- Custo de produção do Bitcoin atinge US$ 61.200 e pressiona mineradores
- Margem média do setor cai para 4,67%, perto de mínima de dois anos
- Trader vê sinal histórico de acumulação com capitulação de mineradores
Os mineradores de Bitcoin voltaram a operar no limite da rentabilidade, e o dado reabre uma discussão antiga entre traders: comprar BTC quando o setor produtor sangra costuma ser um dos melhores pontos de entrada de longo prazo. O alerta vem de gestores quantitativos e analistas on-chain que monitoram o custo real para emitir cada novo bloco.
Segundo a Capriole Investments, fundo quantitativo fundado por Charles Edwards, o custo de produção médio de um Bitcoin está em torno de US$ 61.200, enquanto o custo puramente elétrico fica em US$ 48.965. Com preço à vista em US$ 63.724, margem operacional caiu a 4,67%, próxima da mínima de dois anos.
Capitulação confirmada por dados on-chain
O trader pseudônimo Killa afirmou em publicação no X que o cenário atual configura capitulação clássica de mineradores. Ele cruza o preço com a última mínima de longo prazo da dificuldade da rede uma métrica que tende a marcar fundos cíclicos quando entra em terreno negativo.
“Você literalmente tem mineradores capitulando, um sinal que historicamente marcou o momento ideal para acumular”, escreveu.
“Não existe sinal mais claro para começar a comprar BTC.”
O gráfico de capitulação de mineradores publicado pela plataforma Bitbo está cravado no vermelho, repetindo padrão visto nos bear markets anteriores de 2018 e 2022.
Edwards, da Capriole, é mais cauteloso, mas chega a conclusão parecida. Para ele, sempre que o BTC/USD se aproxima do custo elétrico, abre-se uma janela rara de acumulação.
“As melhores oportunidades de valor de longo prazo historicamente ficaram entre aqui e o custo elétrico”, afirmou o gestor.
Por que a margem de 4,67% importa
Margem de mineração comprimida tem implicação prática direta, mineradores listados são forçados a vender uma parcela maior do BTC produzido para pagar energia, dívida e equipamentos. Quando o spread cai para um dígito, mineradores deixam de acumular e passam a pressionar o mercado spot.
O cenário ajuda a explicar a fraqueza recente, em linha com a série negativa de perdas realizadas registrada nas últimas semanas. Também conversa com a leitura de que o ativo entrou em fase tardia do ciclo de baixa tese reforçada por analistas que projetam fundo entre US$ 47 mil e US$ 50 mil.
Killa projeta fundo final em 2026
Apesar do gatilho de acumulação, Killa não acredita que o mercado já tenha formado o piso definitivo. Ele prevê correção nos mercados tradicionais ainda neste ano, marcando o pivô final do Bitcoin possivelmente em 2026.
“Foi assim em todos os ciclos até agora, e não vejo razão para esse ser diferente”, escreveu, citando a correlação histórica entre S&P 500 e BTC em momentos de estresse macro.
A leitura coloca o investidor diante de um dilema clássico, o sinal de capitulação dos mineradores é forte, mas o cenário macro ainda guarda risco de uma última perna de queda.
Conversão em real puxa preço a R$ 328 mil
No câmbio atual de R$ 5,10 por dólar, o Bitcoin é negociado em R$ 328.841 nas exchanges brasileiras, ante um custo de produção equivalente a aproximadamente R$ 315,8 mil. A margem entre preço e breakeven também é estreita em reais, com ordens limitadas crescendo perto dessa faixa.
A leitura editorial é direta, zonas em que mineradores quebram empate raramente duram. Em 2018 e 2022, o BTC ficou abaixo do custo de produção por menos de três meses antes de iniciar reversão. No Brasil, mineradores pequenos e médios com energia subsidiada mantêm custo abaixo de US$ 49 mil, permanecendo lucrativos.
