Vai subir: queda de 42% do Bitcoin não é o pior da história

  • Bitcoin caiu 42% do topo de US$ 109 mil e opera perto de US$ 64 mil
  • Ursos anteriores tiveram quedas de 77% a 93%, muito acima do atual
  • Investor Price em US$ 48,3 mil marca zona histórica de fundo do ciclo

O Bitcoin opera em torno de US$ 63.991 (R$ 327,5 mil) nesta semana. Isso representa cerca de 42% abaixo da máxima histórica de US$ 109 mil registrada em janeiro de 2025. O Fear and Greed Index marca 22 pontos, terreno de medo extremo. Além disso, a percepção nas redes é de colapso terminal, mas os números de ciclos anteriores contam outra história.

O recuo atual sequer se aproxima do que costuma definir um bear market histórico do BTC. Em 2011, o ativo desabou 93%, saindo de US$ 32 para US$ 2. Dois anos depois, caiu 86%, de US$ 1.163 para US$ 152, e levou mais de doze meses para consolidar o piso.

O ciclo de 2018, ainda usado como principal referência entre traders, entregou queda de 84%, dos US$ 19.783 aos US$ 3.122, ao longo de quatorze meses. Já em 2022, entre o colapso da Terra Luna, a implosão da FTX e o ciclo de aperto monetário mais duro do Fed em quatro décadas, o Bitcoin recuou 77,5%. Assim, caiu de US$ 68.789 para US$ 15.476.

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Por que a correção parece pior do que é

O topo de janeiro de 2025 aconteceu poucos dias antes da segunda posse de Donald Trump. Dessa forma, precificou de forma antecipada o que seria a administração mais pró-cripto da história dos EUA. Quando a onda institucional prometida não veio no ritmo esperado, a realização de lucros ganhou tom de frustração. Nesse sentido, ficou mais parecida com traição do que com uma correção normal de bull market.

Os ETFs de Bitcoin à vista, que atraíram US$ 35 bilhões entre 2024 e o início de 2025, agora encadeiam semanas seguidas de saída líquida. O Coinbase Premium Index permanece negativo há 46 pregões consecutivos. Este é um sinal técnico de que a mesa institucional americana está fora do bid. Esse vácuo de compra explica por que cada tentativa de recuperação encontra oferta acima dos US$ 65 mil. Como mostra o teste recente na resistência, isso se repete.

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Investor Price em US$ 48.300 vira alvo dos ursos

Assim, a métrica que mais tem circulado entre analistas on-chain é o Investor Price, hoje em US$ 48.300. O indicador é calculado removendo do custo médio da rede as moedas consideradas permanentemente perdidas, chegando ao preço médio efetivo pago pelos detentores ativos. Nos últimos quinze anos, todos os grandes fundos de ciclo se formaram nessa região.

Além disso, um recuo até esse patamar significaria queda adicional de cerca de 24% em relação ao preço atual. Porém, ainda deixaria o bear market bem menos severo do que os de 2018 e 2022. Grandes carteiras já se movimentam nessa direção: baleias acumularam 270 mil BTC enquanto os fundos negociados em bolsa perdiam US$ 7 bilhões. Este é um padrão típico de transferência de mãos fracas para fortes.

Anthony Scaramucci, da SkyBridge Capital, resumiu o sentimento em uma frase: “todo fundo parece exatamente com isso”. Cathie Wood, da ARK Invest, manteve inalterada sua projeção de US$ 730 mil para o Bitcoin até 2030, apesar da correção. No lado das corretoras institucionais, o Standard Chartered segue com meta de US$ 100 mil para 2026, condicionada à retomada do fluxo institucional.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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