- Funding rate anualizado do Bitcoin sobe a 7% e atinge maior nível em três semanas
- Petróleo Brent recua a US$ 77,50 e alivia pressão sobre ativos de risco
- ETFs spot de Bitcoin acumulam US$ 228 milhões em saques na semana anterior
O bitcoin voltou a flertar com a marca dos US$ 65.500 nesta segunda-feira após o vice-presidente americano JD Vance afirmar que o Estreito de Ormuz segue aberto, em meio ao que classificou como progresso encorajador nas conversas com a delegação iraniana na Suíça. A descompressão geopolítica reacendeu o apetite por alavancagem entre traders de derivativos, levando o mercado a discutir se US$ 70 mil está de volta ao radar de curto prazo.
A leitura mais clara desse otimismo veio do mercado de perpétuos. A taxa de financiamento anualizada dos futuros do Bitcoin saltou para 7%, o patamar mais alto em quase três semanas, segundo dados da Laevitas. O número ainda fica dentro da faixa neutra, entre 6% e 12%, mas marca uma virada em relação ao tom defensivo das semanas anteriores. Em termos práticos: há mais gente pagando para ficar comprada com alavancagem.
No momento desta publicação, o BTC negociado a US$ 63.890, equivalente a cerca de R$ 329.299 na cotação contra o real. A oscilação positiva nas últimas 24 horas é modesta, e o ativo opera mais de US$ 6 mil abaixo do gatilho psicológico que destravaria novas compras institucionais.
Petróleo em queda tira peso do risco
Parte do impulso veio de fora do mercado cripto. O barril do Brent caiu para US$ 78, menor cotação desde março, o que reduz o prêmio de risco geopolítico embutido em ativos voláteis. O Nasdaq 100, por outro lado, recuou cerca de 1%, com ações de inteligência artificial pressionadas. As ações da SpaceX chegaram a cair 13% após o anúncio de captação de dívida apesar do caixa superior a US$ 100 bilhões alimentando dúvidas sobre quanto capital o setor de IA ainda vai exigir antes de virar lucrativo.
O desempenho fraco simultâneo em ações, títulos do Tesouro americano e ouro sugere uma preferência crescente por caixa em dólar. O metal precioso recuou 0,9% no dia, enquanto os rendimentos dos Treasuries de cinco anos subiram sinal de que investidores estão exigindo prêmio maior, seja por temor inflacionário, seja por receio de diluição da dívida americana. Esse pano de fundo não favorece um rali agressivo do BTC.
Opções no Deribit mostram busca por proteção
O contraste com o mercado de opções é evidente. Na Deribit, a demanda por puts superou em mais de duas vezes a procura por calls, indicando que parte relevante dos gestores prefere comprar seguro contra queda. A inclinação para estratégias defensivas começou na sexta-feira e quebrou o padrão otimista da semana anterior, mostrando que a euforia dos perpétuos ainda não contagiou os mercados que precificam risco com prazo mais longo.
Um dos vetores de medo era a desvalorização da Strategy, empresa de Michael Saylor. As ações chegaram a operar 13% abaixo do custo de aquisição dos 847.363 BTC em tesouraria, gerando especulação de que a companhia precisaria vender parte das reservas. O anúncio de US$ 300 milhões adicionais em caixa, somado ao reforço recente da operação STRC, ajudou a acalmar o mercado assunto que o BitNotícias destrinchou em análise específica.
ETFs spot seguem drenando investidor
O obstáculo mais concreto a um movimento até US$ 70 mil está nos fundos negociados em bolsa. Os ETFs spot de Bitcoin perderam US$ 228 milhões na semana, marcando seis semanas seguidas de saídas. Para o investidor brasileiro que acompanha BDRs ligados a esses ETFs ou opera direto via corretora internacional, o recado é claro, o canal institucional que sustentou o rali de 2024 e início de 2025 ainda não voltou a comprar.
O livro de ordens, porém, oferece um contrapeso técnico. Bids superaram offers em US$ 12 milhões nas principais exchanges, revertendo a tendência do fim de semana. Em paralelo, projeções extremas voltaram à mesa algumas das mais ousadas estão mapeadas em estudo recente sobre BTC e ETH. Sem retomada do fluxo dos ETFs, contudo, a chance de um rali curto rumo aos US$ 70 mil segue limitada.
