- NUPL do Bitcoin marca 0,11 e segue acima da zona de capitulação
- MVRV Z-Score em 0,22 sugere preço justo, não fundo de ciclo
- Padrão dos halvings aponta fundo entre outubro de 2026 e janeiro de 2027
Com o Bitcoin negociado em US$ 58.110 (R$ 304.654) e acumulando queda de cerca de 53% ante a máxima histórica de outubro de 2025, investidores tentam descobrir se o pior já passou. Três indicadores on-chain consagrados respondem que não pelo menos por enquanto.
O diagnóstico combina NUPL, MVRV Z-Score e Puell Multiple, métricas que historicamente marcam exaustão de vendedores em ciclos de baixa. Nenhuma delas atingiu os patamares vistos em novembro de 2022 ou março de 2020, períodos em que o mercado de fato encontrou piso.
NUPL segue fora da zona de capitulação
O Net Unrealized Profit/Loss compara o valor de mercado do Bitcoin com o valor realizado, indicando se a base de holders está, em média, no lucro ou no prejuízo. A leitura atual é de 0,11, posicionando o indicador na faixa de “Esperança/Medo”.
Para sinalizar fundo, o NUPL precisaria mergulhar em terreno negativo, como ocorreu nos finais de 2018 e 2022. A versão restrita a holders de longo prazo caiu a 0,19 no início de junho, mas nunca furou o zero neste ciclo. Em novembro de 2022, esse mesmo indicador chegou a -0,24, evidenciando que até os investidores mais resilientes carregavam prejuízo.
A diferença é relevante. Nos fundos anteriores, a capitulação dos long-term holders foi o gatilho que esvaziou a oferta vendedora. Sem essa rendição, a tese de piso fica frágil algo que sinais em derivativos de altcoins também ainda não confirmaram com clareza.
MVRV em 0,22 e Puell ainda acima de 0,5
O MVRV Z-Score está em 0,22, indicando que o BTC orbita perto do valor justo, mas longe de uma região de subvalorização extrema. Para efeito de comparação, no fundo de US$ 15 mil em novembro de 2022, o indicador foi a -0,286. Durante o crash da Covid, em março de 2020, marcou -0,20.
O terceiro componente é o Puell Multiple, que mede a rentabilidade dos mineradores. Em 3 de junho, o índice tocou 0,51, ainda acima do limiar de 0,5 que historicamente confirma capitulação do setor produtor. A leitura faz sentido com o aperto recente sobre as fazendas: a dificuldade da rede subiu 7,15%, comprimindo margens e podendo forçar desligamentos adicionais nas próximas semanas.
Os dados das três métricas podem ser cruzados na página da Coinglass, que consolida séries históricas de cada indicador.
Calendário do halving projeta piso no quarto trimestre de 2026
O quarto halving aconteceu em abril de 2024. Olhando para os três ciclos anteriores, o Bitcoin costuma fazer topo de bull market entre 12 e 18 meses após o evento, e o fundo do urso vem 24 a 28 meses depois do mesmo marco. O pico atual saiu em outubro de 2025, dentro do prazo. Repetindo o intervalo de 12 a 15 meses entre topo e fundo dos ciclos de 2018 e 2022, o piso desta vez deve aparecer entre outubro de 2026 e janeiro de 2027, com o quarto trimestre como janela mais provável.
Pesquisas de CryptoQuant e Glassnode, além de leituras públicas de Benjamin Cowen e PlanB, convergem para o mesmo recorte. Dezembro tem peso simbólico, foi mês de fundos em 2018 (perto de US$ 3.200) e 2022 (US$ 15.500). Pelo padrão, o ciclo está a quatro ou seis meses do piso, e não a poucas semanas.
Drawdowns históricos projetam Bitcoin entre US$ 37 mil e US$ 50 mil
As quedas máximas de cada ciclo seguem diminuindo, 94% em 2011-2012, 87% em 2013-2015, 84% em 2017-2018 e 77% em 2021-2022. Se a tendência de drawdowns menores persistir, o ciclo atual deve fechar com retração entre 60% e 70% a partir do topo de US$ 126 mil projetando piso entre o fim dos US$ 30 mil e o início dos US$ 50 mil.
Para o investidor brasileiro, o cenário cruza com pressões locais, o Banco Central avalia travar saques de stablecoins por 24 horas, o que tende a afetar liquidez nas corretoras nacionais justamente em uma janela de risco. Em reais, um fundo nos US$ 40 mil colocaria o BTC perto de R$ 206 mil aos câmbios atuais bem abaixo dos R$ 304 mil de hoje.
