- Bitcoin despencou a US$ 61.310 antes de oscilar perto de US$ 64 mil
- Liquidações alavancadas no mercado cripto somaram US$ 1,73 bilhão em 24 horas
- Bitget Wallet alerta para possível reteste entre US$ 55 mil e US$ 57 mil
O bitcoin sofreu o terceiro dia consecutivo de liquidações bilionárias e apagou US$ 636 milhões apenas em posições compradas durante o flash crash desta quarta-feira. O movimento levou o ativo até US$ 61.310 antes de uma recuperação parcial que devolveu a cotação para a faixa dos US$ 64 mil.
O tombo foi rápido. Pouco depois da meia-noite, o preço chegou a tocar US$ 64.600, perdeu tração, recuou para US$ 62.200 e voltou a tentar romper a resistência dos US$ 64.500 sem sucesso. Por volta das 14h30 (horário de Brasília), o BTC já flertava novamente com a perda dos US$ 63 mil. O ativo está negociado a US$ 63.711,72, equivalente a R$ 324.694,87, em queda de 3,1% nas últimas 24 horas.
Liquidações passam de US$ 1,73 bilhão
A pancada nos derivativos foi a mais severa em semanas. As liquidações totais cruzaram US$ 1,73 bilhão, sendo US$ 1,43 bilhão em apostas compradas e cerca de US$ 307 milhões em vendidas. Só o bitcoin respondeu por US$ 803 milhões do total, com os longs liderando o estrago.
O movimento se conecta a uma série de episódios similares ao longo das últimas semanas, em que traders alavancados foram pegos de surpresa por ondas curtas de venda. A sequência de zeramento forçado sugere que o mercado opera com posicionamento esticado em alavancagem, o que amplifica qualquer correção via efeito cascata.
Desde 29 de maio, quando o valor de mercado do bitcoin estava em torno de US$ 1,48 trilhão, mais de US$ 200 bilhões evaporaram. O ativo acumula queda próxima de 30% no ano de 2026 um dos piores períodos do ciclo atual.
Saylor rebate críticas sobre venda de 32 BTC
A queda inicial foi creditada a duas frentes: tensões políticas no Oriente Médio e a venda de 32 bitcoins pela Strategy, primeiro desinvestimento da empresa em 41 meses. Michael Saylor, presidente executivo da companhia, finalmente quebrou o silêncio e atribuiu as saídas líquidas dos ETFs à vista a uma rotação de capital, não a uma destruição de valor estrutural.
A Grayscale Research seguiu linha parecida. Em nota, a gestora apontou que, embora a divulgação da venda tenha pesado no sentimento, o volume é fundamentalmente irrelevante perto do balanço total da Strategy. Para a Grayscale, a reação agressiva do mercado expõe um regime de volatilidade comprimida, em que manchetes institucionais provocam movimentos desproporcionais.
Para o investidor brasileiro acostumado a operar via exchanges locais, o quadro reforça o cuidado com alavancagem em momentos de baixa liquidez. As corretoras nacionais já vinham sob escrutínio adicional após o Banco Central exigir auditoria independente, e correções como a desta semana costumam elevar o volume de pedidos de saque em BRL, pressionando spreads e prêmios sobre o preço internacional.
Bitget Wallet projeta piso de US$ 55 mil
Lacie Zhang, analista da Bitget Wallet, afirma que o cripto pode estar precificando o estresse macro mais rápido do que as bolsas tradicionais. Ela destaca que as taxas de financiamento viraram negativas, o open interest foi resetado e o índice Fear & Greed caiu a 12, sinalizando pânico extremo. Se os outflows persistirem, um reteste da faixa de US$ 55 mil a US$ 57 mil permanece no radar.
Nicolai Sondergaard, da Nansen, observa um padrão diferente, participantes têm usado o repique a partir de US$ 61 mil para reduzir exposição, não para acumular. O comportamento contrasta com o discurso de longo prazo da Standard Chartered, que manteve a meta de US$ 100 mil para o BTC mesmo após o tombo. Enquanto isso, a Strive ampliou em US$ 4,2 bilhões sua oferta para comprar mais bitcoin, em movimento que vai na contramão direta da venda da Strategy.
