- Bitcoin sobe cerca de 7% em 2026 e volta à faixa de US$ 93 mil.
- Instabilidade política nos EUA fortalece ativos não soberanos.
- ETFs podem encerrar o ciclo clássico de quatro anos do Bitcoin.
O Bitcoin iniciou 2026 em forte recuperação e reacendeu o debate sobre o futuro do mercado cripto.
Analistas apontam três fatores centrais que podem impulsionar os preços ao longo do ano e mudar a dinâmica do setor.
Bitcoin reage à instabilidade política e ao cenário macro
O Bitcoin acumula alta próxima de 7% em 2026 e chegou a US$ 97 mil antes de uma correção, atualmente, o preço gira em torno de US$ 93.300.
Segundo a NYDIG Research, o principal gatilho de curto prazo foi a instabilidade política nos Estados Unidos. As críticas do presidente Donald Trump ao Federal Reserve elevaram o temor de interferência na política monetária.
Greg Cipolaro, chefe de pesquisa da NYDIG, destacou precedentes históricos relevantes.
“Interferência política na política monetária quase sempre resulta em inflação mais alta, perda de credibilidade do banco central e moedas mais fracas”, afirmou.
Por isso, investidores passaram a buscar ativos não soberanos, o Bitcoin, com oferta fixa, voltou a ser visto como proteção contra riscos institucionais.
Além disso, o cenário macro global reforçou essa leitura. A oferta mundial de dinheiro atingiu recordes em 2025, enquanto ouro e prata dispararam, o Bitcoin ficou para trás por meses. Entretanto, analistas avaliam que o BTC iniciou 2026 tentando recuperar esse atraso.
O ciclo de quatro anos pode ter perdido força
Outro ponto central do debate é o possível enfraquecimento do tradicional ciclo de quatro anos, ligado ao halving. Historicamente, o evento impulsionava grandes altas, seguidas por euforia e correções profundas.
Porém, a Wintermute avalia que esse padrão perdeu relevância.
“O ciclo de quatro anos está morto”, afirmou a empresa em relatório recente.
Segundo a análise, 2025 marcou uma transição estrutural, ETFs e trusts passaram a concentrar liquidez em poucos ativos, como Bitcoin e Ethereum. Esses produtos funcionam como “jardins murados”, limitando a rotação de capital para altcoins.
Como resultado, os ralis alternativos ficaram mais curtos. Em 2025, duraram cerca de 20 dias, contra mais de 60 dias em 2024.
Três catalisadores para o mercado em 2026
A Wintermute aponta três gatilhos para uma nova fase de alta, o primeiro é a ampliação dos ETFs para outros criptoativos, como Solana e XRP.
O segundo fator é o efeito riqueza, uma alta mais forte de BTC ou ETH pode liberar capital para ativos menores.
Por fim, o terceiro catalisador é o retorno do investidor de varejo, que em 2025 priorizou ações ligadas à inteligência artificial.
No fechamento, 2026 começa com sinais claros de mudança estrutural. Se a liquidez se expandir, o mercado pode entrar em nova fase, caso contrário, a concentração seguirá ditando o ritmo dos preços.
