Bitcoin recua abaixo de US$ 78 mil com tensões Irã-EUA e busca recuperar suporte crítico

Bitcoin recua abaixo de US$ 78 mil com tensões Irã-EUA e busca recuperar suporte crítico
  • Bitcoin cai 3% e testa mínima de US$ 76.567 com nervosismo sobre conflito Irã-EUA
  • Petróleo WTI sobe para US$ 97,50 o barril pressionando ativos de risco
  • Analistas apontam US$ 80 mil como resistência chave para mudança de tendência

O Bitcoin (BTC) perdeu mais de 1% nesta segunda-feira, atingindo mínima local de US$ 76.760 na corretora Bitstamp. A queda reflete o nervosismo dos investidores com o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltaram a dominar os mercados globais e pressionaram ativos de risco.

Fonte: Coinmarketcap

A criptomoeda havia conseguido fechar a semana anterior acima de uma média móvel importante pela primeira vez desde outubro de 2025, movimento que traders esperavam que sustentasse o preço. Ryan Hogue, analista de mercado, destacou que o Bitcoin reconquistou a média móvel exponencial de 21 semanas (21W EMA) e projetava US$ 84.500 como próximo alvo técnico.

No entanto, a viagem do ministro das Relações Exteriores do Irã à Rússia para conversas com Vladimir Putin reacendeu temores sobre uma escalada geopolítica. A empresa de trading QCP Capital alertou que o movimento revive “preocupações sobre alinhamento geopolítico mais amplo e escalada, adicionando incerteza ao mercado”.

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Petróleo dispara e pressiona cripto

Enquanto o Bitcoin e as ações americanas caíam na abertura de Wall Street, o petróleo seguiu direção oposta. O WTI subiu para US$ 97,50 por barril, próximo das máximas de duas semanas. Historicamente, altas no petróleo tendem a pressionar ativos de risco como criptomoedas, já que alimentam temores inflacionários e podem forçar bancos centrais a manter juros elevados.

CFDs do petróleo bruto WTI dos EUA no gráfico de quatro horas. Fonte: TradingView

Para o mercado cripto brasileiro, a combinação de Bitcoin em queda e petróleo em alta cria um cenário desafiador. Com o real já pressionado, investidores locais enfrentam dupla pressão, a desvalorização do BTC em dólares e o possível impacto inflacionário dos combustíveis mais caros. Exchanges brasileiras relataram aumento no volume de ordens de venda durante o pregão.

Zona crítica dos US$ 80 mil

Nic Puckrin, CEO da plataforma educacional Coin Bureau, identificou que o Bitcoin está “exatamente no meio da banda de suporte do bull market”. Essa banda, formada por duas médias móveis incluindo a 21W EMA, historicamente serve como suporte crucial durante mercados de alta. “Quebramos abaixo da banda em outubro do ano passado”, explicou Puckrin aos seus seguidores.

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O executivo enfatizou que enquanto US$ 80 mil atua como resistência no momento, virar essa banda para suporte “apontaria para uma grande mudança macro-altista”. A QCP Capital foi mais específica em sua análise, afirmando que a capacidade do Bitcoin de fechar acima de US$ 82 mil determinará se o movimento atual é “outra armadilha de alta clássica ou uma recuperação mais duradoura”.

A empresa também apontou que os resultados corporativos desta semana representam outra fonte potencial de volatilidade. Com várias big techs divulgando balanços, qualquer surpresa negativa pode amplificar a pressão vendedora sobre ativos de risco, incluindo criptomoedas. Para investidores institucionais que acumularam posições recentemente, o momento é de cautela.

Projeções divididas no mercado

Apesar da pressão vendedora, nem todos os analistas estão pessimistas. Michaël van de Poppe mantém confiança em um rompimento além da faixa de negociação atual. “Os mercados ainda estão se configurando para mais alta e mantêm níveis cruciais”, escreveu o trader. Sua projeção aponta para US$ 85-88 mil em maio, seguido de correção e consolidação.

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Van de Poppe baseia seu otimismo na manutenção de suportes técnicos importantes, mesmo com a volatilidade recente. O analista sugere que a atual queda representa mais uma oportunidade de acumulação do que início de reversão de tendência. Dados on-chain mostram que endereços com mais de 1.000 BTC continuaram comprando durante a queda desta segunda.

No mercado brasileiro, a visão é mais cautelosa. Com o dólar forte e incertezas domésticas, traders locais preferem aguardar sinais mais claros antes de aumentar exposição. O volume negociado nas principais exchanges brasileiras caiu 15% na comparação semanal, indicando que investidores retail estão na defensiva enquanto o cenário macro não se define.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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