Bitcoin sobe acima de US$ 80 mil mesmo com queda das bolsas americanas

Bitcoin sobe acima de US$ 80 mil mesmo com queda das bolsas americanas
  • Bitcoin se mantém em US$ 80 mil enquanto S&P 500 cai 0,75%
  • Petróleo Brent caiu 3% para US$ 110,94 após tensões no Irã
  • Dominância do Bitcoin atinge 60,6% em mercado de US$ 2,67 trilhões

O Bitcoin rompeu sua tradicional correlação com as bolsas americanas ao se manter próximo dos US$ 80 mil enquanto o S&P 500 caía em resposta ao salto do petróleo. O movimento marca uma mudança importante no comportamento da criptomoeda, que durante meses seguiu fielmente a direção dos mercados de ações dos Estados Unidos.

No pregão de 4 de maio, o S&P 500 perdeu 0,75%. O catalisador foi a escalada do petróleo Brent, caiu 3% para US$ 110,94 o barril após novos conflitos no Oriente Médio ameaçarem o cessar-fogo no Irã e complicarem os esforços americanos para reabrir o Estreito de Ormuz.

Apesar da pressão sobre ativos de risco, o Bitcoin se manteve firme. A criptomoeda opera em US$ 81.590, com alta de mais de 2% em 24 horas e valorização superior a 20% nos últimos 30 dias. O mercado cripto total vale cerca de US$ 2,67 trilhões, com a dominância do Bitcoin próxima de 60,6%.

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Fonte: Coinmarketcap

Choque do petróleo testa correlações

O Estreito de Ormuz é crítico para os mercados globais. Cerca de 20,9 milhões de barris por dia passam pelo estreito no primeiro semestre de 2025, equivalente a 20% do consumo global de petróleo e um quarto de todo o óleo comercializado por via marítima. Qualquer interrupção prolongada afeta preços de combustíveis, inflação e políticas de bancos centrais.

O Banco Mundial já projetou que os preços de energia podem subir 24% em 2026 caso a disrupção no Oriente Médio seja mais severa que o esperado. Em seu relatório de abril, a instituição estimou que o Brent poderia oscilar entre US$ 95 e US$ 115 este ano em cenários mais extremos.

Para o Bitcoin, esse choque cria interpretações opostas. Manter-se acima de US$ 80 mil enquanto petróleo e juros sobem pode indicar uma demanda macro mais resiliente. Por outro lado, pode refletir apenas um atraso na transmissão dos efeitos negativos para criptoativos.

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Ásia impulsiona Bitcoin antes da pressão americana

Uma explicação para o desacoplamento temporário está na sequência dos eventos. O Bitcoin começou sua recuperação para US$ 80 mil puxado por um rally de ações de inteligência artificial na Ásia, com papéis de chips e força dos mercados regionais dando o tom antes mesmo da abertura americana.

Quando a sessão dos EUA adicionou pressões de petróleo, dólar e juros dos Treasuries, o Bitcoin já havia construído impulso positivo. Isso sugere que a criptomoeda pode estar respondendo a diferentes mercados líderes em momentos distintos do dia, em vez de simplesmente romper com a lógica dos mercados de ações.

Os ETFs de Bitcoin também mudaram a dinâmica. Com wrappers públicos e exposição via contas de corretagem, a demanda institucional pode mover o Bitcoin junto com as mesmas telas de portfólio que movem ações de tecnologia. Ao mesmo tempo, o choque do petróleo puxa a criptomoeda para o debate sobre inflação e taxas de juros.

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No pregão asiático de 5 de maio, os rendimentos dos Treasuries americanos e o dólar se fortaleceram com a força do petróleo, enquanto o Bitcoin se mantinha próximo de US$ 81 mil. O mercado parece descorrelacionado em uma única foto, mas ainda depende de inputs externos.

Próximos catalisadores para o mercado

A questão geopolítica permanece central. Os Estados Unidos testavam o frágil cessar-fogo em 5 de maio, com o Irã alertando contra a reabertura forçada do Estreito de Ormuz. Dois navios mercantes com bandeira americana já haviam transitado pela região.

Se o esforço for bem-sucedido e o transporte marítimo normalizar, a pressão do petróleo deve aliviar. Isso reduziria o choque sobre juros e permitiria ao Bitcoin negociar mais claramente baseado em demanda de ETFs, apetite por risco tecnológico e o próprio nível de US$ 80 mil como suporte técnico.

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Caso a reabertura falhe ou haja retaliação, o teste será mais severo. O Bitcoin precisaria se sustentar contra uma mistura persistente de petróleo alto, dólar forte e juros elevados dos Treasuries. Seria uma evidência mais robusta de que a criptomoeda ganhou uma demanda não correlacionada com ações.

O rompimento da correlação tem peso porque sugere que investidores em Bitcoin agora estão expostos a múltiplos motores macro simultaneamente. A moeda digital pode se comportar como ativo de risco tecnológico. Em outra, pode atuar como o mercado mais rápido para reprecificar risco geopolítico. Em uma terceira, pode ser puxada de volta para a matemática do mercado de bonds que ainda governa ativos líquidos.

Esse é o verdadeiro teste de regime. A ligação do Bitcoin com ações está se tornando incompleta enquanto petróleo, ações de IA, ETFs, dólar e juros dos Treasuries competem para definir o próximo movimento. O mercado cripto vive fase onde múltiplos catalisadores dominam momentos distintos, criando oportunidades para investidores atentos dinâmica multipolar.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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