- Tesourarias menores adquiriram 602,6 BTC, cerca de US$ 46 milhões, na última semana
- Strive liderou com 381,6 BTC comprados a preço médio de US$ 79.348
- Strategy ficou fora das compras semanais após aporte de US$ 2 bilhões em maio
Enquanto a Strategy, maior detentora corporativa de bitcoin do mundo, ficou de fora do mercado na semana passada, um grupo de tesourarias menores aproveitou a queda do BTC abaixo de US$ 80 mil para acumular. As empresas compraram, em conjunto, 602,6 BTC, equivalentes a cerca de US$ 46 milhões, segundo dados compilados de comunicados oficiais.
A movimentação contraria a leitura predominante de que a demanda corporativa havia evaporado durante o atual ciclo de correção. O que se observa, na prática, é uma rotação, o apetite migrou dos grandes compradores recorrentes para empresas de porte intermediário, que parecem disputar uma janela de preço considerada vantajosa.
Quem comprou na queda
A maior aquisição partiu da Strive, gestora de ativos comandada por Vivek Ramaswamy, que adicionou 381,6 BTC a um preço médio de US$ 79.348 por unidade. O movimento foi confirmado em formulário 8-K protocolado na SEC.
Em seguida apareceu a DDC Enterprise Limited, marca global de alimentos de consumo, com aporte de 200 BTC ao preço médio de US$ 79.496. A britânica The Smarter Web Company somou 19 BTC pagos a US$ 77.687, enquanto a Hyperscale Data, operadora de data centers voltados à inteligência artificial, fechou a lista com 2 BTC adquiridos no mercado aberto no domingo, dia em que o ativo encerrou cotado a US$ 76.981.
O preço médio de aquisição é uma métrica observada de perto. Ele revela o ganho ou perda não realizado de cada tesouraria e, em ciclos de baixa, costuma servir de termômetro para medir convicção. Nenhuma das quatro empresas comprou acima de US$ 80 mil o que sugere disciplina de execução em vez de compra reativa.
Strategy de fora da semana
A ausência da Strategy chama atenção porque a companhia de Michael Saylor mantém um ritmo praticamente ininterrupto de compras semanais desde 2024. A última grande aquisição divulgada foi de 24.869 BTC por US$ 2,01 bilhões, executada entre 11 e 17 de maio a um preço médio de US$ 80.985. Foi o terceiro maior aporte da empresa no ano.
A pausa coincide com uma sequência de saídas pesadas dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos. Dados da Farside Investors apontam US$ 1,54 bilhão em resgates líquidos acumulados nos seis pregões anteriores à sexta-feira. A plataforma de análise de sentimento Santiment classificou esse fluxo como um “contraindicador”, argumentando que os ETFs refletem mais o humor do varejo do que o posicionamento do dinheiro institucional. Esse mesmo movimento de retração foi detalhado em cobertura sobre demanda spot e nas saídas recentes da BlackRock.
Leitura para o investidor brasileiro
Para quem opera no Brasil, o dado relevante é o descolamento entre dois grupos de compradores. As tesourarias intermediárias parecem usar a queda como ponto de entrada, enquanto fundos negociados em bolsa registram resgates massivos. Esse tipo de divergência costuma anteceder fases de baixa volatilidade, em que o preço busca um piso técnico antes de uma nova direção.
O cenário é ainda mais sensível porque o ativo testou US$ 76.981 e mostrou hesitação para recuperar a faixa dos US$ 80 mil. Em reais, a cotação se manteve próxima a R$ 400 mil, patamar que exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit observaram acompanhar de um leve aumento de volume entre investidores pessoa física.
O universo de tesourarias corporativas continua em expansão. Segundo a Bitcointreasuries, existem hoje cerca de 198 empresas listadas em bolsa que mantêm BTC em balanço, somando 1,24 milhão de bitcoins aproximadamente 5,9% do supply total da rede. Esse percentual cresce trimestralmente, mesmo em ciclos adversos, e permanece variável central para entender demanda estrutural do Bitcoin.
