- Bitmine pede registro à SEC para emitir 3 milhões de ações preferenciais a US$ 100
- Dividendo de 9,5% ao ano será pago semanalmente em caixa pela companhia
- Empresa já detém 4,14 milhões de ETH e mira 5% da oferta global
A Bitmine Immersion Technologies protocolou na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) uma oferta de 3 milhões de ações preferenciais perpétuas Série A, ao preço unitário de US$ 100. A operação mira cerca de US$ 300 milhões em recursos brutos e foi lida pelo mercado como mais um capítulo do programa de acúmulo de ethereum da companhia.
O papel comum (BMNR) fechou em alta de aproximadamente 5,8% na quinta-feira, na contramão do ETH, que recua nesta sexta-feira a US$ 1.660,81, queda de 6,5% em 24 horas segundo cotações atuais. No acumulado semanal, o ativo perde perto de 17%.
Oferta paga 9,5% em dividendo semanal
A estrutura prevê dividendo cumulativo anual de 9,5%, pago semanalmente em caixa quando declarado pelo conselho. Em caso de inadimplência, o credor aumenta a taxa em 0,05% por semana de atraso, até o limite de 15% ao ano, enquanto o devedor não quitar o débito.
Os papéis devem ser listados na Bolsa de Nova York sob o ticker BMNP, com início de negociação previsto cerca de 30 dias após a primeira emissão. No comunicado oficial, a Bitmine manteve a destinação dos recursos deliberadamente ampla, aquisição de ETH e outros ativos digitais, expansão da infraestrutura de staking via MAVAN, capital de giro, investimentos no ecossistema Ethereum e eventual recompra de ações ordinárias.
A lista é permissiva, não obrigatória. Mas o histórico recente da empresa direciona a leitura. Em setembro de 2025, a empresa já destinou uma captação obtida com a venda direta de ações comuns para comprar ETH. O presidente do conselho, Thomas Lee, descreveu a operação como “materialmente acretiva” por elevar o estoque de ETH por ação.
Bitmine acumula 4,14 milhões de ETH
Em janeiro de 2026, a companhia mantinha 4,14 milhões de ETH e US$ 915 milhões em caixa. Somados, ativos digitais e caixa beiravam US$ 14,2 bilhões. Desse total de ether, 659.219 tokens já estavam em staking pela infraestrutura MAVAN, gerando o rendimento que sustenta a engenharia financeira da oferta atual.
A meta declarada por Lee é controlar 5% da oferta global de ETH. Em palestra no evento Proof of Talk, na França, o executivo defendeu que tesourarias de ativos digitais em Ethereum usem o yield do staking para financiar grants ao ecossistema uma tese mais próxima de governança e renda passiva do que de mineração tradicional.
Manual da Strategy com risco de cobertura do cupom
O paralelo com a estratégia de Michael Saylor é explícito. A Strategy emitiu a preferencial perpétua STRC, que paga 11,5% ao ano, dentro do mesmo manual de captar capital recorrente para comprar o ativo-alvo. A Bitmine replica a arquitetura, com ETH no lugar de BTC.
O ponto sensível é a cobertura do cupom. Quando a Strategy vendeu 32 BTC para honrar dividendos das preferenciais primeira venda desde 2022, o mercado reagiu negativamente. A Bitmine pode usar rendimentos do staking para cobrir obrigações sem precisar vender parte dos ativos. A conta exige equilíbrio, dividendos anuais de US$ 28,5 milhões podem superar o rendimento gerado apenas pelo staking.
Investidor brasileiro acessa via corretora internacional
Para o investidor local, a operação reforça duas tendências relevantes. Veículos listados nos EUA ampliam o acesso institucional ao ETH, oferecendo alternativa aos ETFs spot tradicionais. A segunda é o risco embutido, tesourarias em ETH já registraram perdas relevantes em ciclos de queda, e a alavancagem financeira de empresas que captam dívida ou preferenciais para acumular cripto amplifica a volatilidade.
