- Bitmine adiciona 42.197 ETH e chega a 5,74 milhões de tokens em tesouraria
- Tom Lee aponta CLARITY Act como catalisador da alta do par ETH/BTC
- Strategy vende US$ 216 milhões em Bitcoin para bancar dividendos aos acionistas
A Bitmine Immersion Technologies ampliou sua tesouraria em Ether e adotou postura oposta à da Strategy, referência corporativa em Bitcoin. Enquanto uma acumula, a outra vende — e a divergência ganha peso justamente quando o Senado dos Estados Unidos se prepara para debater o CLARITY Act, projeto que pode redesenhar o marco regulatório cripto americano.
A companhia comunicou ter comprado 42.197 ETH na última semana, movimento avaliado em cerca de US$ 74 milhões ao preço de referência de US$ 1.759 por token no momento da apuração. Com isso, a Bitmine passou a deter 5.742.237 ETH em caixa, o equivalente a aproximadamente 4,8% de todo o supply circulante do ativo, hoje estimado em 121 milhões de unidades.
No momento da publicação, o Ether é negociado a US$ 1.793,88, ou cerca de R$ 9.292 na conversão para o real, com valorização de 0,6% nas últimas 24 horas. O Bitcoin, por sua vez, opera perto de US$ 63.758, com alta de 1,6% no mesmo intervalo.
Tom Lee conecta alta do ETH/BTC ao CLARITY Act
Presidente do conselho da Bitmine, Tom Lee justificou a compra citando o avanço legislativo em Washington. Para ele, a eventual aprovação do CLARITY Act representa um marco capaz de beneficiar diretamente plataformas de contratos inteligentes como o Ethereum.
“A alta do par ETH/BTC nos últimos dias faz sentido conforme o mercado passa a enxergar chances maiores de aprovação do Clarity Act”, afirmou o executivo. A leitura é relevante: por meses, o Ether ficou para trás na disputa com o Bitcoin em termos de performance relativa, e uma virada nessa relação sinalizaria rotação de capital institucional para o segundo maior criptoativo do mercado.
Dados do Polymarket mostram que traders precificam em torno de 48% de probabilidade de o projeto ser aprovado ainda neste ano. A pesquisa em mercados de previsão tem sido usada como termômetro por gestores cripto para calibrar exposição a ativos sensíveis ao ambiente regulatório dos EUA.
Strategy vende US$ 216 milhões em Bitcoin
Do outro lado do balcão, a Strategy — antiga MicroStrategy, comandada por Michael Saylor — informou a venda de US$ 216 milhões em BTC para financiar o pagamento de dividendos aos acionistas de suas ações preferenciais. Após a operação, a empresa mantém 843.775 bitcoins em tesouraria, ainda a maior posição corporativa conhecida no ativo.
A movimentação da Strategy contrasta com o padrão de acumulação contínua que consolidou o modelo de tesouraria em Bitcoin desde 2020. Não se trata, no entanto, de reversão estratégica: a companhia vem estruturando emissões de dívida e ações preferenciais que exigem fluxo de caixa recorrente, o que ocasionalmente pressiona a venda de parte do estoque.
O que está em jogo no Senado americano
O Digital Asset Market Clarity Act transfere à CFTC, reguladora dos mercados de commodities e derivativos, boa parte da autoridade sobre ativos digitais que hoje orbita a SEC. Republicanos pressionam por votação assim que o Senado retomar os trabalhos, mas o projeto exige 60 votos — e a bancada republicana tem maioria apertada, dependendo de dissidentes democratas.
Para o investidor brasileiro, o desfecho importa menos pelo texto em si e mais pelo efeito cascata. Uma classificação mais nítida entre securities e commodities nos EUA tende a acelerar aprovações de ETFs à vista de altcoins, inclusive Ether com staking, produto que BlackRock e Fidelity já vêm sinalizando à SEC. No Brasil, a CVM costuma observar decisões americanas antes de destravar novos ETFs cripto na B3, hoje concentrados em BTC, ETH e cestas temáticas.
Bitmine passa a controlar 4,8% do supply de ETH
A concentração de quase 5% de todo o Ether em circulação em uma única tesouraria corporativa é um dado on-chain relevante. Empresas de tesouraria em ETH, categoria que ganhou tração em 2025, funcionam de forma análoga à Strategy no Bitcoin: usam captações no mercado de capitais para comprar o ativo, criando pressão compradora recorrente e reduzindo a oferta líquida disponível em exchanges.
