- Carteiras da BlackRock venderam US$ 1,01 bilhão em BTC em cinco pregões
- Clip de Larry Fink de outubro de 2025 ressurgiu junto com resgates do IBIT
- Bitcoin sustentou US$ 77.382 apesar da pressão vendedora no ETF
Carteiras associadas à BlackRock venderam US$ 1,01 bilhão em bitcoin ao longo de cinco pregões da semana passada, segundo rastreamento da Arkham Intelligence. O movimento veio do iShares Bitcoin Trust (IBIT), maior ETF spot de BTC do mundo, e coincidiu com a viralização de um vídeo antigo de Larry Fink elogiando o ativo.
A combinação produziu um contraste curioso. Enquanto o discurso institucional do CEO da gestora circulava pelas redes como se fosse novidade, os dados on-chain mostravam fluxo no sentido oposto: investidores resgatando posições em massa.
O clip de Fink não é novo
A fala que voltou a rodar entre traders é de outubro de 2025, gravada para o programa 60 Minutes, da CBS. Nela, Fink chama o cripto de “ativo que tem papel” ao lado do ouro. Não há mudança de postura recente apenas reciclagem de conteúdo.
O posicionamento público do executivo segue o mesmo desde 2024, quando ele declarou acreditar no bitcoin como reserva de valor, mas nunca como moeda. A tese da BlackRock continua centrada em tokenização de ativos do mundo real, com os ETFs spot funcionando como porta de entrada institucional.
O problema é o timing. O áudio antigo ganhou tração justamente na semana em que o IBIT registrou saídas relevantes, criando ruído entre quem opera no curto prazo. Traders menos atentos chegaram a interpretar o vídeo como gatilho de compra, sem perceber que ele tinha mais de seis meses.
Resgates são mecânicos, não direcionais
É importante separar o que cada dado significa. Quando um cotista resgata posição em um ETF spot, o fundo precisa vender BTC no mercado à vista para honrar a saída. Ou seja, o US$ 1,01 bilhão não representa uma aposta direcional da BlackRock contra o ativo mede comportamento de cliente.
O IBIT segue como um dos maiores detentores de bitcoin do planeta, posição construída em sequências históricas de captação ao longo de 2024 e 2025. A semana passada foi consequência de outro vetor: a alta dos rendimentos dos Treasuries dos EUA, que empurrou investidores para postura mais defensiva. Sinais hawkish do Fed reforçaram essa rotação.
Earlier no mês, o próprio IBIT já havia marcado um dia recorde de saídas, segundo dados da SoSoValue. O padrão se repete, quando o juro real sobe, o apetite por ativos de risco encolhe e o ETF de bitcoin, por ser o veículo mais líquido do segmento, é o primeiro a sentir.
Leitura para o investidor brasileiro
Para quem opera daqui, o episódio serve de alerta sobre como notícias institucionais são consumidas em ciclo. O bitcoin sustentou a faixa de US$ 77.382 mesmo com a pressão vendedora, o que sugere que houve absorção de oferta por outros compradores possivelmente tesourarias corporativas como a Metaplanet e fundos asiáticos, que vêm acumulando em correções.
Vale lembrar que os ETFs brasileiros de bitcoin, como o HASH11, replicam metodologias similares aos veículos americanos e tendem a refletir o mesmo movimento de cotistas locais. Em períodos de juro Selic ainda elevado, parte do capital doméstico também migra para renda fixa em vez de manter exposição direcional ao cripto. O fenômeno não é exclusivo dos EUA.
Outro ponto é o uso de conteúdo viral como suposto sinal de compra. Vídeos antigos circulando como atuais distorcem a percepção de mercado e atraem investidores de varejo no momento errado. Saídas concentradas no IBIT historicamente antecedem dias de volatilidade ampliada e raramente coincidem com boas janelas de entrada apressada.
A semana atual deve esclarecer se os resgates foram realização de lucro pontual ou início de uma realocação macro mais profunda. Dados de fluxo divulgados pela página oficial do IBIT serão o termômetro imediato.
