- BlackRock IBIT responde por US$ 136,6 milhões dos inflows semanais
- ETFs de Bitcoin acumulam US$ 2,8 bilhões em 5 semanas
- Ethereum perde US$ 82 milhões enquanto XRP e Solana ficam estáveis
Os ETFs de Bitcoin fecharam a semana entre 27 de abril e 1º de maio com entrada líquida de US$ 162,8 milhões, marcando o quinto período consecutivo de ganhos. O movimento totaliza US$ 2,8 bilhões em captações nas últimas cinco semanas, confirmando o apetite institucional pelo ativo digital.
A BlackRock dominou os fluxos com seu fundo IBIT, que atraiu US$ 136,6 milhões ao longo dos cinco pregões. O produto se consolidou como principal veículo de entrada institucional no mercado, respondendo por 84% do total captado no período.
Os primeiros três dias da semana registraram saídas consistentes. Investidores realizaram lucros após rali anterior, mas o movimento se reverteu na sexta-feira com entrada abrupta de US$ 630 milhões em único pregão. A virada reforça padrão observado desde março: quedas pontuais seguidas de compras volumosas.
Volumes bilionários sustentam mercado
Mesmo durante os dias de saída líquida, os volumes de negociação mantiveram-se acima de US$ 1 bilhão diário. O dado indica realocação de portfólios, não fuga do mercado. Traders institucionais aproveitaram volatilidade para reposicionamento, mantendo exposição total relativamente estável.
Além do IBIT, outros fundos registraram entradas relevantes. O ARKB da Ark & 21Shares captou US$ 50,1 milhões, enquanto o FBTC da Fidelity somou US$ 48,5 milhões. O MSBT da Morgan Stanley atraiu US$ 15,3 milhões, sinalizando diversificação na base de investidores.
Na contramão, o GBTC da Grayscale manteve trajetória de resgates com saída de US$ 73,6 milhões. O fundo, que foi o primeiro produto institucional de Bitcoin nos EUA, continua perdendo participação para concorrentes com taxas menores. Vaneck HODL, Franklin EZBC e Invesco BTCO também registraram saídas marginais.
Ethereum sofre com resgates institucionais
Os ETFs de Ethereum apresentaram cenário oposto, com saída líquida de US$ 82 milhões na semana. O movimento interrompeu sequência de três semanas positivas e expôs cautela maior dos investidores com o segundo maior ativo digital.
O ETHA da BlackRock liderou os resgates com US$ 71,45 milhões em saídas. O FETH da Fidelity perdeu US$ 50,26 milhões. Apenas o ETHB da BlackRock conseguiu atrair recursos, com entrada de US$ 44,50 milhões insuficiente para compensar vendas nos demais produtos.
A divergência entre Bitcoin e Ethereum reflete momento distinto dos ativos. Enquanto o Bitcoin testa resistências próximas aos US$ 80 mil com suporte institucional, o Ethereum enfrenta pressão técnica e menor interesse de grandes investidores.
XRP e Solana permanecem às margens
Os ETFs de XRP registraram saída marginal de US$ 35 mil, praticamente neutro na semana. A estabilidade indica falta de catalisadores para o ativo, que aguarda definições regulatórias nos EUA. Volume reduzido sugere posicionamento lateral de investidores.
Produtos de Solana tiveram desempenho similar, com saída de US$ 1,2 milhão. Vários pregões não registraram negociação alguma, evidenciando fase inicial de desenvolvimento desses ETFs. A adoção corporativa da Solana ainda não se traduziu em demanda institucional via fundos regulados.
Para investidores brasileiros, os fluxos semanais confirmam Bitcoin como ativo preferencial das instituições. A concentração de 84% das entradas na BlackRock demonstra que gestoras tradicionais lideram a alocação, não fundos cripto nativos. O padrão sugere fase de validação institucional ainda em curso.
A resistência técnica próxima aos US$ 80 mil coincide com acumulação via ETFs. Historicamente, períodos de entrada consistente precederam rompimentos de alta. Com US$ 2,8 bilhões acumulados em cinco semanas, o mercado testa se há combustível para novo impulso ou se consolidação lateral persistirá.
