- Debate ocorreu no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro.
- Banco Central da França defendeu confiança em instituições públicas independentes.
- CEO da Coinbase afirmou que usuários devem decidir em quem confiar.
No Fórum Econômico Mundial de Davos, um embate direto colocou bancos centrais e Bitcoin no centro do debate sobre confiança no dinheiro.
De um lado, autoridades monetárias defenderam instituições reguladas. Do outro, líderes do setor cripto destacaram a força da descentralização.
Confiança no dinheiro: instituições versus protocolo descentralizado
Durante o painel “Is Tokenization the Future?”, o presidente do Banco Central da França, François Villeroy de Galhau, afirmou que a confiança monetária depende de instituições públicas independentes.
Segundo ele, bancos centrais possuem mandato democrático e mecanismos de responsabilidade.
“A garantia da confiança é a independência do banco central”, afirmou Galhau.
Além disso, o dirigente destacou que confia mais em bancos centrais do que em emissores privados de criptomoedas. Para ele, a regulação protege usuários e sustenta a estabilidade financeira.
Entretanto, Galhau não rejeitou totalmente a inovação. Ele lembrou que o dinheiro sempre funcionou como uma parceria público-privada. Por isso, defendeu a tokenização, desde que siga regras claras.
Bitcoin como alternativa e mecanismo de disciplina
Em resposta, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, adotou outro ponto de vista. Ele afirmou que o Bitcoin não possui emissor, governo ou empresa controladora. Portanto, seria ainda mais independente que qualquer banco central.
“Não existe país, empresa ou indivíduo que controle o Bitcoin”, disse Armstrong.
Além disso, Armstrong defendeu uma competição saudável entre Bitcoin e moedas estatais. Segundo ele, permitir que o público escolha em qual sistema confiar cria um mecanismo real de responsabilidade fiscal.
Por isso, o executivo sugeriu que a concorrência limita gastos excessivos e déficits públicos. A afirmação gerou reação bem-humorada de Galhau durante o painel.
Regulação, euro digital e soberania monetária
Apesar das divergências, Galhau reforçou que regulação não impede inovação. Pelo contrário, segundo ele, regras claras aumentam a confiança do público. Ele também buscou tranquilizar bancos europeus sobre o euro digital.
De acordo com o governador, a moeda digital do Banco Central Europeu não pretende substituir instituições privadas. O objetivo seria modernizar pagamentos e preservar a soberania monetária da União Europeia.
Além disso, economistas europeus seguem divididos. Recentemente, 70 especialistas pediram que o interesse público prevaleça no projeto do euro digital, o que amplia o debate.
O confronto em Davos expôs uma questão central: confiança nasce da autoridade institucional ou da escolha livre dos usuários?
À medida que Bitcoin e moedas digitais estatais avançam, essa disputa tende a moldar o futuro do sistema financeiro global.
