- Copom reduz Selic em 0,25 ponto e taxa cai para 14,25%
- Decisão unânime sob Galípolo mantém ritmo cauteloso de cortes
- Conflito EUA-Israel-Irã pressiona petróleo e ameaça pausar ciclo
O Comitê de Política Monetária (Copom) aprovou nesta quarta-feira, 17 de junho, o terceiro corte consecutivo da taxa Selic. A redução de 25 pontos-base levou os juros básicos a 14,25% ao ano, em decisão unânime sob o comando de Gabriel Galípolo. Plataformas de previsão de mercado já precificavam mais de 90% de probabilidade para o movimento antes da reunião.
O passo é pequeno, mas confirma a direção. O Banco Central brasileiro escolheu novamente subir a escada em vez de pegar o elevador, tratando cada corte como uma decisão isolada, sem sinalizar trajetória pré-determinada para as próximas reuniões.
Selic sai de 15% após quase uma década de aperto
A taxa permaneceu travada em 15% máxima de quase 20 anos por nove meses consecutivos, de abril de 2025 a janeiro de 2026. O primeiro alívio veio em março, com queda para 14,75%. Em abril, novo recuo a 14,50%. Agora, com 14,25%, o ciclo de afrouxamento entra em sua terceira etapa.
O BC chamou a estratégia de “calibração”. A escolha do termo não é casual: rejeita o conceito de ciclo automático e preserva margem para parar ou acelerar conforme os dados. As expectativas de inflação para 2026 rondam 4,9%, ainda bem acima da meta de 3% perseguida pela autoridade monetária.
Internamente, a economia surpreendeu. O crescimento se manteve, o mercado de trabalho seguiu apertado e o consumo das famílias não colapsou como parte dos economistas projetava no auge do aperto. Esse pano de fundo dá ao Copom espaço para reduzir juros sem soar como afrouxamento precipitado.
Petróleo e conflito no Oriente Médio travam projeção
Galípolo evitou cravar guidance sobre os próximos passos. O motivo declarado: incertezas externas, com destaque para a escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã e a volatilidade resultante no preço do petróleo. Um salto sustentado da energia entraria direto na inflação brasileira via combustíveis, forçando o BC a escolher entre apoiar o crescimento ou conter preços.
O cenário externo também pesa pelo lado dos Estados Unidos. O Fed manteve juros entre 3,5% e 3,75% na estreia de Kevin Warsh, e parte do mercado projeta inclusive alta adicional em setembro. Diferencial de juros menor entre Brasil e EUA tende a pressionar o real, importando inflação — outro ponto que pode segurar a mão do Copom em julho.
Cripto no Brasil ganha respiro com juros menores
Para o investidor local, o movimento tem leitura direta. Com a Selic a 15%, títulos públicos como Tesouro Selic e LFTs entregavam retornos reais que competiam com qualquer ativo de risco. Cada corte comprime esse rendimento e reduz o custo de oportunidade de manter posição em Bitcoin, ações e ativos especulativos.
O Brasil concentra uma das maiores bases varejistas de cripto da América Latina. Crédito mais barato historicamente estimula apetite a risco, e exchanges locais costumam registrar aumento de volume em ciclos de afrouxamento. O dólar opera em R$ 5,1049, ajudando a conter a inflação importada fator que destrava espaço fiscal para mais cortes adiante.
O BTC opera a US$ 64.315, equivalente a R$ 326.845, com recuo de 2,1% em 24 horas. A queda acompanha tensão geopolítica e cautela global, mas baleias seguem retirando BTC das exchanges, em movimento de acumulação. Endereços acumuladores absorveram 125 mil BTC no período que antecedeu o ciclo de decisões dos bancos centrais.
Os três cortes unânimes sob Galípolo indicam coesão interna no colegiado, algo que o mercado lê como sinal de previsibilidade. A próxima reunião do Copom ocorre no fim de julho, e o consenso preliminar de analistas projeta novo corte de 25 pontos-base desde que o barril de petróleo não dispare e o real mantenha estabilidade frente ao dólar.
