- Core Scientific vendeu 2.385 BTC por US$ 208,3 milhões no Q1
- Receita com data centers de IA saltou para US$ 77,5 milhões
- Mineração de cripto caiu 55% para US$ 30,1 milhões
A Core Scientific (CORZ) liquidou 2.385 bitcoins por US$ 208,3 milhões durante o primeiro trimestre, mesmo registrando prejuízo de US$ 347,2 milhões no período. A venda representa uma estratégia clara da empresa para financiar sua transição de mineradora de Bitcoin para operadora de data centers focados em inteligência artificial.
Os recursos obtidos com a venda foram direcionados para despesas de capital e necessidades operacionais. A companhia também realizou uma baixa contábil de US$ 266,5 milhões em ativos relacionados à mineração, sinalizando o distanciamento gradual do setor cripto.
Receita com IA supera mineração
A transformação nos números operacionais impressiona pela velocidade. A receita com colocation, coloca aluguel de espaço em data centers que explodiu de US$ 8,6 milhões para US$ 77,5 milhões em apenas um ano, tornando-se o maior segmento de negócios da empresa.
Enquanto isso, a receita com mineração de criptomoedas despencou 55%, caindo de US$ 67,2 milhões para apenas US$ 30,1 milhões. O volume de Bitcoin minerado caiu 45%, agravado por uma queda de 18% no preço médio do ativo no período comparativo.
A empresa opera atualmente 10 data centers distribuídos por sete estados americanos. A infraestrutura representa 1,9 GW de capacidade bruta de energia e 1,3 GW de capacidade disponível para locação aos clientes.
Contratos bilionários com CoreWeave
O principal motor da transformação é o relacionamento com a CoreWeave, empresa especializada em computação para IA. O contrato inicial foi expandido para 590 MW de capacidade energética distribuída em seis instalações.
A expansão assinada em fevereiro de 2025 projeta receitas de US$ 10,2 bilhões ao longo de 12 anos. Um único cliente de colocation presumivelmente a CoreWeave foi responsável por 67% da receita total no primeiro trimestre, saltando de apenas 11% no mesmo período do ano anterior.
Para financiar essa expansão agressiva, a Core Scientific fechou uma emissão de US$ 3,3 bilhões em títulos seniores com taxa de 7,75%. Os recursos serão usados para desenvolvimento de novos data centers e para quitar um empréstimo de US$ 1 bilhão.
Tendência entre mineradoras americanas
A estratégia da Core Scientific reflete um movimento mais amplo no setor. Mineradoras como Hut 8 também têm fechado contratos bilionários com empresas de IA, aproveitando o acesso privilegiado à energia elétrica.
O movimento faz sentido econômico. Enquanto a rentabilidade da mineração oscila com o preço do Bitcoin e a dificuldade da rede, contratos de longo prazo com empresas de IA garantem receita previsível por anos.
A Core Scientific emergiu do Chapter 11 em 2024 e desde então tem sido um dos casos mais emblemáticos dessa transição setorial. A tentativa fracassada de aquisição pela CoreWeave, avaliada em aproximadamente US$ 9 bilhões em ações, colocou ainda mais holofotes sobre a transformação.
A empresa encerrou março com US$ 1,04 bilhão em liquidez, incluindo US$ 1,01 bilhão em caixa e US$ 37,3 milhões em Bitcoin. O saldo remanescente em cripto sugere que novas vendas podem ocorrer conforme a demanda por capital para expansão dos data centers.
Para investidores brasileiros expostos a mineradoras listadas nos EUA, o caso ilustra como o setor está se reinventando. Além disso, a capacidade de pivô para IA pode separar vencedores de perdedores num ambiente de margens comprimidas na mineração tradicional.
