CPI dos EUA sobe 2,8% em abril e Bitcoin recua para US$ 79 mil

  • CPI dos EUA sobe 0,4% em abril e supera projeção de 0,2%
  • Bitcoin cai 1,2% e toca US$ 79.933 antes de estabilizar perto de US$ 80 mil
  • FedWatch aponta 97,1% de chance de Fed manter juros em junho

O CPI dos Estados Unidos referente a abril veio acima do consenso e reabriu o debate sobre quando o Federal Reserve vai começar a cortar juros. O índice de inflação ao consumidor subiu 0,4% na comparação mensal e 2,8% no acumulado em 12 meses, contra projeções de 0,2% e 2,7%, respectivamente.

A resposta do mercado cripto foi imediata. O Bitcoin recuou 1,2% logo após a divulgação do dado em 13 de maio, tocando a mínima de US$ 79.280 antes de devolver parte das perdas e estabilizar no entorno de US$ 80 mil. Em reais, a moeda voltou a operar próxima da faixa dos R$ 460 mil nas principais corretoras locais.

Fonte: coinmarketcap

Fed perde margem para cortar juros

A ferramenta CME FedWatch passou a precificar 97,1% de probabilidade de que o Federal Reserve mantenha a taxa básica inalterada na reunião de junho. Mais grave, a chance de os juros terminarem o ano exatamente no patamar atual ultrapassou 65%.

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Grandes bancos já reagiram. Mesas de instituições de Wall Street empurraram suas projeções de corte para 2027, e algumas casas chegaram a falar em 2028 como horizonte realista para uma flexibilização monetária consistente. O movimento contrasta com o cenário que dominava o consenso há poucos meses, quando o mercado ainda trabalhava com dois a três cortes ao longo de 2026.

No mercado de juros, o rendimento da Treasury de 10 anos subiu para 4,44%. Futuros de ações caíram, o dólar se fortaleceu no índice DXY e ativos de risco em geral perderam tração. O padrão é conhecido: dado de inflação ruim, dólar forte, juros longos pressionados, cripto na defensiva.

Tese de hedge contra inflação em xeque

O comportamento do Bitcoin nesta semana reacendeu uma crítica recorrente entre gestores tradicionais: quando a inflação surpreende para cima, a moeda deveria subir caso funcionasse como reserva de valor. Não foi o que aconteceu. O ativo caiu, e isso reforça a leitura de parte do mercado de que o Bitcoin opera, na prática, como ativo de risco de alta beta correlacionado com Nasdaq e sensível ao custo do dinheiro.

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O paralelo brasileiro ajuda a entender o impacto. Investidores locais que migraram da renda fixa para cripto buscando proteção encontram hoje uma Selic em dois dígitos e títulos americanos pagando perto de 4,5% ao ano em dólar. A relação risco-retorno fica mais apertada e a tese de hedge precisa entregar performance para se sustentar.

Nem todo o sentimento é negativo. Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, manteve sua projeção de Bitcoin a US$ 126 mil, argumentando que a dinâmica de liquidez global vai prevalecer sobre o ruído de curto prazo dos dados de inflação. Para Hayes, expansão monetária asiática e gastos com IA nos EUA superam impacto pontual de um único CPI.

O que muda para o investidor

O cenário base agora é de juros altos por mais tempo. A cavalaria do corte não chega em junho, dificilmente aparece em setembro e pode não vir em 2026. Com Treasury a 4,44%, renda fixa americana compete diretamente com Bitcoin e pode reduzir fluxos dos ETFs spot.

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O dado de abril também adiciona pressão sobre o discurso do Fed na próxima reunião. Qualquer sinalização de Jerome Powell admitindo persistência inflacionária pode ampliar o movimento de venda em níveis técnicos próximos de US$ 80 mil. No radar imediato dos traders está a leitura do PPI e dos dados de varejo, que podem confirmar ou suavizar o tom hawkish desenhado pelo CPI. Os dados oficiais podem ser consultados na página do Bureau of Labor Statistics.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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