- Cruz da morte renova temor e pressiona o Bitcoin
- Volatilidade cresce com tensões geopolíticas e sinais técnicos negativos
- ETFs mostram entradas, mas mercado segue atento ao risco
A nova cruz da morte no gráfico do Bitcoin reacendeu temores entre traders. O movimento, formado pelo cruzamento das médias móveis de 50 e 200 períodos, voltou a aparecer no intervalo de três dias. Esse padrão costuma sinalizar perdas adicionais e, por isso, muitos investidores já ajustam posições.
Os analistas lembram que o Bitcoin caiu cerca de 35% em média após sinais semelhantes. Esse comportamento histórico mantém o foco no risco de queda, especialmente em um mercado que perdeu força nas últimas semanas.
Pressão técnica cresce enquanto o Bitcoin repete padrões antigos
O indicador não surgia desde junho de 2022. Naquela época, o BTC recuou quase 50% após o cruzamento, atingindo um fundo perto de US$ 15.480. Agora, alguns observadores destacam que o cenário técnico mostra sinais parecidos e, portanto, exige atenção redobrada.
O ativo já formou três cruzes da morte antes de 2026. Nesse período, o Bitcoin entregou retornos médios de -35% em um mês, -20% em três meses e +30% em doze meses. Esses números reforçam que a pressão tende a dominar primeiro, enquanto a recuperação só aparece muito depois.
O Bitcoin também caiu aproximadamente 80% nos três ciclos anteriores em relação ao topo. Em março de 2026, o BTC já havia recuado quase 50% desde a máxima de cerca de US$ 126.270. Por isso, alguns analistas afirmam que o ativo entrou na “fase mais brutal do mercado de baixa“.
Segundo o comentarista Mister Crypto, o preço ainda pode buscar a faixa de US$ 30.000 a US$ 45.000, onde historicamente surgem fundos mais consistentes. Ele enfatiza que a pressão atual não deve ser ignorada.
Fluxos de ETFs e tensão geopolítica adicionam novas camadas ao risco
Apesar do clima negativo, os ETFs de Bitcoin à vista registraram US$ 458 milhões em entradas na segunda-feira. Esse movimento sugere que parte dos investidores mantém a estratégia de comprar em quedas, mesmo em meio ao aumento da volatilidade.
Essa volatilidade ganhou força após novas tensões no Oriente Médio. Depois dos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, ampliando o alerta sobre energia, navegação e cadeias de suprimentos. Além disso, o impacto geopolítico atingiu diretamente o humor do mercado.
Mesmo com o cenário delicado, o ex-CEO da BitMEX, Arthur Hayes, enxerga um possível efeito positivo no longo prazo. Em um ensaio recente, ele escreveu que o envolvimento prolongado dos EUA poderia levar a políticas monetárias mais suaves. Para Hayes, juros menores e liquidez maior tendem a favorecer o Bitcoin.
No entanto, os traders permanecem cautelosos. A combinação entre risco técnico, tensão internacional e incerteza econômica mantém o BTC em um território de forte atenção.
